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Flamengo, Corinthians e Palmeiras lideram perdas com veto às bets

Flamengo, Corinthians e Palmeiras lideram perdas com veto às bets

Flamengo, Corinthians e Palmeiras podem perder até R$ 334,5 milhões em receitas com o veto às bets, segundo levantamento sobre o futebol brasileiro.

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Luis Gomes
28 de outubro de 2026
6 min de leitura
Esporte

O veto às casas de apostas esportivas no Brasil provocou preocupação entre os principais clubes do futebol nacional, com Flamengo, Corinthians e Palmeiras entre os mais afetados pela perda de receitas de patrocínios e placas publicitárias. Um levantamento elaborado pelo economista Cesar Grafietti aponta que o impacto pode chegar a R$ 334,5 milhões no Flamengo, R$ 198 milhões no Corinthians e R$ 163 milhões no Palmeiras, considerando a retirada desses valores das receitas recorrentes das equipes.

O estudo foi realizado com base no Relatório Convocados, também produzido por Grafietti e publicado em maio. A análise considera os dez clubes da Série A que recebiam os maiores valores em patrocínios de casas de apostas. Para calcular os impactos, foram incluídas as receitas provenientes de patrocínios e placas publicitárias, sem contabilizar transferências de jogadores ou premiações da Copa do Mundo de Clubes de 2025.

Flamengo, Corinthians e Palmeiras concentram as maiores perdas

O Flamengo aparece na primeira posição entre os clubes mais prejudicados pelo veto. De acordo com o levantamento, a receita do Rubro-Negro passaria de R$ 1,3 bilhão para R$ 967,2 milhões após a retirada de R$ 334,5 milhões em patrocínios e publicidade, uma redução de 26%.

O Corinthians ocupa a segunda posição, com queda estimada de 23%. A receita do clube paulista, que era de R$ 879,4 milhões, seria reduzida para R$ 681,4 milhões, representando uma perda de R$ 198 milhões.

Já o Palmeiras aparece na terceira colocação, com redução de 22%. O clube deixaria de receber R$ 163 milhões, fazendo com que sua receita passasse de R$ 733 milhões para R$ 570 milhões.

Para Cesar Grafietti, responsável pelo levantamento, os clubes brasileiros não estão preparados para enfrentar uma redução tão expressiva e repentina nas receitas. Segundo o economista, uma interrupção abrupta desse volume de recursos provoca impactos significativos, independentemente do setor econômico afetado.

O especialista avalia que a discussão sobre a proibição total das apostas esportivas e o encerramento imediato dessa atividade cria um cenário difícil para as organizações que dependem desses investimentos.

Veto temporário também provocaria perdas em 2026

O levantamento também apresenta uma segunda possibilidade: a manutenção do veto somente até o fim de 2026. Nesse cenário, seriam consideradas as perdas de receitas entre outubro e dezembro deste ano.

Essa alternativa dependeria da derrubada, pelo Congresso Nacional, da medida provisória que estabeleceu o veto às bets.

Caso essa hipótese se concretize, Flamengo, Corinthians e Palmeiras teriam uma redução estimada de 6% em suas receitas anuais de 2026. Outros clubes também seriam afetados, embora em proporções menores.

O Vasco e o São Paulo registrariam perdas de 5%, enquanto Botafogo, Atlético-MG e Fluminense teriam reduções de 4%. O Santos aparece com impacto estimado de 3%, seguido pelo Cruzeiro, com 2%.

Mesmo no cenário de interrupção temporária, os números indicam dificuldades para os departamentos financeiros dos clubes, que precisam buscar alternativas para compensar os valores que deixariam de receber.

Clubes buscam alternativas para manter receitas de patrocínio

Quase um mês após o veto do governo federal, a situação permanecia marcada por incertezas entre os clubes ouvidos pelo UOL. As estratégias discutidas incluem a procura por novos patrocinadores, a negociação de contratos pontuais e a expectativa em relação à decisão do Congresso sobre a medida provisória.

Um executivo de marketing de um grande clube da Série A afirmou que o futebol pode se adaptar à nova realidade, mas ressaltou que uma mudança gradual seria menos prejudicial. Segundo ele, os valores oferecidos pelas empresas de outros setores tendem a ser inferiores aos investimentos realizados pelas casas de apostas.

Algumas equipes também passaram a buscar alternativas para manter parcerias comerciais. Fluminense e São Paulo, que anteriormente tinham a Superbet como patrocinadora máster, utilizarão temporariamente a Superscore em seu lugar.

A Superscore é um aplicativo de resultados e dados esportivos pertencente à casa de apostas. Conforme a justificativa apresentada pelos clubes, a plataforma não exibe publicidade, cotações ou sugestões de apostas.

Santos e Corinthians, por sua vez, anunciaram patrocínios pontuais. No caso santista, o acordo é válido até o fim do ano, enquanto o Corinthians trabalha com contratos por partida.

O Palmeiras mantém vigente seu contrato com a Sportingbet, embora não utilize a marca no patrocínio.

Flamengo contesta proibição e aciona o STF

Entre os clubes, o Flamengo está entre os que mais se posicionaram contra o veto integral às apostas esportivas. Após o anúncio da medida provisória, o clube divulgou um comunicado contrário à proibição, argumentando que a decisão afeta todo o esporte, e não apenas as equipes com maiores receitas.

O Rubro-Negro também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a restrição.

A indefinição sobre o futuro dos contratos preocupa dirigentes e profissionais de marketing esportivo. Um executivo de outro clube de relevância nacional classificou o cenário como de possível caos financeiro, destacando a dificuldade de encontrar patrocinadores em um mercado no qual diversas equipes buscam novas fontes de receita ao mesmo tempo.

Entre as alternativas discutidas estão o congelamento dos contratos e a procura por acordos pontuais, enquanto os clubes aguardam uma definição sobre a medida.

Patrocínios de bets já apresentavam redução antes do veto

A diminuição dos investimentos das casas de apostas no futebol brasileiro já vinha ocorrendo antes da proibição. Um estudo recente do Ibope identificou uma queda de 18% nos patrocínios desse segmento aos clubes entre 2024 e 2026, período em que o número de contratos caiu de 17 para 14.

Segundo Danilo Amâncio, autor do estudo, o movimento está relacionado ao ajuste regulatório de um mercado relativamente novo.

Especialistas ouvidos pelo UOL também apontaram que a redução dos patrocínios já era observada mesmo com as empresas de apostas em atividade. A avaliação é que a saída dessas companhias pode ampliar uma dificuldade que já existia para algumas equipes na busca por parceiros comerciais.

Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, afirmou que nenhum outro segmento está preparado para substituir integralmente os valores investidos pelas casas de apostas. Segundo ele, os aportes desse mercado alcançaram níveis que outros setores não conseguem igualar.

Perdas das famílias brasileiras com apostas chegam a R$ 62,5 bilhões

Além dos impactos sobre o futebol, o material apresenta dados sobre as perdas financeiras das famílias brasileiras com as apostas esportivas.

De acordo com o Boletim Fiscal dos Estados do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda), as famílias perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a média mensal de perdas foi de R$ 4,7 bilhões.

No mesmo período, as transações realizadas via Pix e movimentadas pelas casas de apostas somaram quase R$ 351 bilhões.

O prejuízo financeiro registrado correspondeu a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias brasileiras.

Diante desse cenário, o veto às bets mantém o futebol brasileiro em um período de incerteza financeira. Flamengo, Corinthians e Palmeiras aparecem entre os clubes mais expostos às perdas, enquanto as equipes buscam novos contratos e aguardam uma definição sobre o futuro da medida. A possibilidade de substituição integral dos recursos das casas de apostas, segundo os especialistas citados no levantamento, continua sendo um dos principais desafios para o mercado esportivo.

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Última atualização: 28/10/2026