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Feminicídios caem 4,5% no Brasil, mas tentativas aumentam 10,4%

Feminicídios caem 4,5% no Brasil, mas tentativas aumentam 10,4%

Brasil registra 1.082 vítimas de feminicídio entre janeiro e setembro de 2026, enquanto tentativas do crime crescem 10,4%, segundo dados oficiais.

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Luis Gomes
21 de outubro de 2026
6 min de leitura
Brasil

O Brasil registrou 1.082 vítimas de feminicídio entre janeiro e setembro de 2026, uma redução de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 1.133 vítimas. Apesar da queda no número de assassinatos de mulheres por razões de gênero, as tentativas de feminicídio aumentaram 10,4%, evidenciando a permanência da violência contra a mulher no país.

Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que a redução dos feminicídios foi impulsionada pelos resultados do segundo e do terceiro trimestres, depois de um crescimento no início do ano. Ainda assim, o cenário permanece preocupante: os registros equivalem a uma média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou motivada por desprezo ou discriminação à condição feminina.

A queda também não foi uniforme entre os estados brasileiros. Onze unidades da Federação apresentaram aumento nos registros de feminicídio, enquanto as tentativas desse tipo de crime continuaram em trajetória de crescimento.

Feminicídios recuam no segundo e terceiro trimestres

Entre julho e setembro de 2026, o país contabilizou 338 feminicídios, contra 365 no mesmo trimestre de 2025. A diferença representa uma redução de 7,4% no período.

O resultado deu continuidade à tendência observada no segundo trimestre, quando os registros diminuíram 14,7% na comparação anual. Nos três primeiros meses de 2026, porém, o movimento havia sido contrário, com aumento de 9,1% nos casos.

A sequência dos indicadores mostra que a redução acumulada nos nove primeiros meses do ano ocorreu após uma mudança de tendência ao longo do período. Por isso, a diminuição registrada não significa que a violência de gênero tenha deixado de representar um problema persistente no país.

Segundo os dados oficiais, Sergipe, Amapá, Amazonas, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro registraram aumento no número de feminicídios.

A distribuição desigual dos casos entre as unidades da Federação reforça a necessidade de observar os indicadores estaduais, além dos números nacionais, para compreender a evolução da violência contra as mulheres.

Tentativas de feminicídio aumentam 10,4%

Enquanto os assassinatos apresentaram redução no acumulado de janeiro a setembro, as tentativas de feminicídio seguiram em sentido contrário.

No período, foram registrados 3.350 casos, ante 3.035 ocorrências nos mesmos meses de 2025. O crescimento de 10,4% corresponde a aproximadamente 12 tentativas por dia em todo o território nacional.

A série histórica também aponta uma escalada dessas ocorrências, especialmente a partir de 2022, quando os registros ultrapassaram a marca de 2 mil casos.

Os números indicam que a redução dos feminicídios consumados não foi acompanhada por uma diminuição das tentativas. O contraste entre os indicadores mantém em evidência a dimensão da violência de gênero e os desafios para prevenir agressões que podem resultar na morte de mulheres.

Lei do Feminicídio prevê penas de até 40 anos

A legislação brasileira passou a tipificar o feminicídio em 9 de março de 2015, quando a Lei do Feminicídio alterou o Código Penal para tratar especificamente dos assassinatos de mulheres por razões de gênero.

Em 2024, houve uma nova mudança legislativa: o feminicídio deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a constituir um crime autônomo. A pena prevista varia de 20 a 40 anos de prisão.

Em situações com agravantes, a punição pode chegar a 60 anos, conforme as informações apresentadas no material. A mudança na legislação ampliou o tratamento específico dado a esse tipo de crime no sistema penal brasileiro.

Apesar do endurecimento das penas, os indicadores demonstram que a resposta à violência contra as mulheres depende também de ações de prevenção, proteção às vítimas e atuação das instituições responsáveis pela segurança pública e pela Justiça.

Especialistas apontam necessidade de cautela na análise dos dados

A redução registrada em parte de 2026 deve ser interpretada com cautela, segundo especialistas citados no levantamento. Embora os números do primeiro semestre tenham apontado diminuição em relação ao período anterior, a série histórica indica que o patamar de feminicídios permanece acima do observado em anos anteriores.

Uma parte do aumento dos registros ao longo dos anos é atribuída ao aprimoramento dos procedimentos de identificação e classificação dos crimes pelas polícias e pelo sistema de Justiça. Com a melhoria da notificação, mortes anteriormente registradas como homicídios passaram a ser enquadradas corretamente como feminicídios.

Esse aperfeiçoamento contribui para tornar os dados mais precisos, mas não explica sozinho a persistência dos casos. Pesquisadores destacam que a violência de gênero e o machismo estrutural continuam entre os principais fatores associados aos assassinatos de mulheres.

O cenário exige, portanto, que a análise dos números considere tanto a qualidade dos registros oficiais quanto as condições sociais que favorecem a continuidade da violência.

Governo federal amplia ações de combate ao feminicídio

Diante da persistência dos casos, o governo federal lançou em 2026 o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a resposta do Estado à violência de gênero.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também implementou medidas voltadas à integração dos serviços de atendimento e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Entre as iniciativas está a inauguração do Centro Integrado Mulher Segura, estrutura nacional criada para integrar e monitorar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência em todo o país.

Outra ação é a Operação Mulher Segura, coordenada pela pasta e desenvolvida com a participação das polícias civis e militares dos estados. A operação tem como objetivo combater a violência contra a mulher e ampliar a atuação das forças de segurança.

Em 141 dias de atividades, a iniciativa resultou na prisão de 57.790 suspeitos de agressão. Desse total, 49.129 foram presos em flagrante e 8.661 em cumprimento de mandados judiciais.

Os resultados apresentados pelo governo integram os esforços para reforçar o enfrentamento à violência contra as mulheres. Ao mesmo tempo, a alta nas tentativas de feminicídio e o aumento de casos em 11 estados mostram que o problema continua exigindo atenção permanente.

Mesmo com a redução de 4,5% nos feminicídios entre janeiro e setembro de 2026, os indicadores apontam que o combate à violência de gênero permanece um desafio nacional. A prevenção, a identificação dos riscos, a proteção às vítimas e a atuação integrada das instituições seguem como elementos centrais para enfrentar esse cenário.

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Última atualização: 21/10/2026