Entidades que atuam na defesa da liberdade de imprensa criticaram a circulação de um vídeo nas redes sociais que teria provocado ameaças contra jornalistas em Brasília. O caso ocorreu durante a cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital DF Star.
A gravação, feita por uma influenciadora na sexta-feira (13), mostra profissionais da imprensa que aguardavam informações sobre o estado de saúde do ex-presidente. O conteúdo passou a circular nas redes sociais acompanhado da alegação de que os jornalistas estariam comemorando a situação de Bolsonaro, interpretação contestada por entidades da área.
O vídeo foi compartilhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em suas redes sociais, ampliando o alcance da publicação.
Jornalistas relatam ameaças após divulgação
Após a repercussão do vídeo, jornalistas que estavam no local relataram ter recebido mensagens ofensivas e ameaças nas redes sociais.
Segundo relatos divulgados pelas entidades, alguns profissionais também passaram a ser alvo de conteúdos manipulados digitalmente e ataques direcionados a familiares.
Parte das ameaças teria ocorrido também nas proximidades do hospital, onde equipes de imprensa acompanhavam a movimentação relacionada à internação do ex-presidente.
Entidades cobram apuração
Organizações ligadas ao setor de comunicação divulgaram notas públicas pedindo a apuração do caso e reforçando a importância da segurança dos profissionais de imprensa.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que a divulgação de conteúdos fora de contexto pode gerar campanhas de desinformação e colocar jornalistas em situação de risco.
Já a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) destacou que episódios de violência ou intimidação contra profissionais de imprensa representam uma ameaça ao exercício do jornalismo.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF) também manifestaram solidariedade aos profissionais e informaram que acompanham o caso.
Caso pode ser investigado
De acordo com informações divulgadas pelas entidades, ao menos um dos jornalistas alvo das ameaças registrou boletim de ocorrência.
A Polícia Militar do Distrito Federal orientou as equipes de imprensa presentes no hospital a buscarem apoio das equipes de segurança caso houvesse risco no local.
O episódio reacendeu discussões sobre a segurança de jornalistas durante coberturas e sobre a responsabilidade na divulgação de conteúdos nas redes sociais.

