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F1 adota combustível 100% sustentável na temporada 2026

F1 adota combustível 100% sustentável na temporada 2026

Fórmula 1 inicia temporada 2026 com combustível 100% sustentável e maior uso de energia elétrica nos motores.

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Luis Gomes
6 de março de 2026
4 min de leitura
Esporte

A Fórmula 1 inicia a temporada 2026 com mudanças importantes no regulamento técnico voltadas à redução das emissões de carbono. A principal categoria do automobilismo mundial passa a utilizar combustível 100% sustentável e reformula as unidades de potência, que terão participação maior da energia elétrica. As medidas fazem parte da meta da categoria de alcançar emissões líquidas zero até 2030.

As mudanças entram em vigor em um calendário com 24 corridas distribuídas por quatro continentes. Mesmo mantendo o alcance global, a competição enfrenta o desafio de reduzir o impacto ambiental de sua complexa logística intercontinental. A abertura da temporada acontece neste fim de semana com o Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1, cuja largada está marcada para a 1h (de Brasília) entre sábado (7) e domingo (8).

O novo combustível desenvolvido para 2026 substitui o E10, mistura utilizada desde 2022 composta por 90% de gasolina e 10% de etanol. A nova fórmula é produzida de forma sintética a partir da captura de carbono retirado do ar ou de emissões industriais, além de resíduos urbanos e biomassa não alimentar, ou seja, matéria orgânica que não é destinada ao consumo humano.

Segundo um porta-voz da Aramco, fornecedora de lubrificantes da equipe Aston Martin F1 Team, o processo difere da gasolina convencional, que depende do refino do petróleo bruto. “Esses componentes são fabricados convertendo matérias-primas sustentáveis em moléculas de combustível por meio de processos químicos delicados”, explicou.

A empresa também produziu combustível sustentável usado nas categorias de acesso à F1, como a Fórmula 2 e a Fórmula 3, no ano passado. De acordo com a fornecedora, o principal desafio foi identificar componentes que atendam aos critérios de sustentabilidade definidos pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

Com o aumento dos custos de pesquisa e produção das novas fórmulas, o combustível deixa de fazer parte do limite orçamentário anual imposto às equipes. A F1 afirma ainda que a nova composição foi projetada para substituir combustíveis fósseis sem exigir adaptações nos motores, o que abre possibilidade de uso também em veículos de rua.

Outra mudança relevante é a eletrificação ampliada das unidades de potência. A energia elétrica passa a dividir quase igualmente a geração de potência com o motor a combustão, ao contrário do modelo anterior, em que cerca de 75% da força vinha do motor térmico e 25% da bateria.

O brasileiro Pietro Fittipaldi, piloto de testes da Cadillac F1 Team, explica que a alteração impacta diretamente a pilotagem e as estratégias de corrida. Segundo ele, a forma de utilizar o acelerador e administrar a energia ao longo da volta será diferente, exigindo maior eficiência do piloto para maximizar o desempenho do carro.

Na prática, as equipes terão de ajustar suas abordagens tanto para voltas de classificação quanto para as corridas, já que a energia elétrica precisa ser gerenciada e recarregada ao longo das voltas. Um uso mais eficiente pode representar vantagem competitiva durante as provas.

Fora das pistas, o desafio ambiental continua sendo a logística de uma temporada com 24 etapas distribuídas entre América, Europa, Ásia e Oceania. O transporte de carros, peças, estruturas e equipamentos de transmissão envolve grandes operações aéreas e marítimas.

No caso do Autódromo de Interlagos, que recebe o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 como a 21ª etapa do calendário, a operação aérea parte do México, sede da corrida anterior. Segundo Regina Yazbek, da Célere Intralogística, chegam oito aviões cargueiros ao aeroporto de Viracopos, em Campinas, transportando carros, motores e outros equipamentos.

Para cada voo são utilizadas entre 14 e 16 carretas, totalizando entre 115 e 120 viagens até Interlagos. Além do transporte aéreo, cerca de 600 toneladas de carga chegam por via marítima aproximadamente três semanas antes do evento, em navios que atracam no porto de Santos vindos de regiões como Singapura e Europa.

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Última atualização: 06/03/2026