Estudantes do curso de medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (9) no campus da instituição em João Pessoa. A mobilização aconteceu em frente ao Centro de Ciências Médicas da UFPB e tem como principal reivindicação o atraso no calendário acadêmico, que, segundo os alunos, estaria provocando superlotação no internato do curso.
De acordo com os estudantes, a situação afeta diretamente a qualidade da formação prática, etapa considerada essencial nos últimos anos da graduação em medicina.
Atraso no calendário teria ampliado duração do curso
Segundo os estudantes que participam da mobilização, o problema teria origem em medidas adotadas durante a pandemia de COVID-19, quando houve mudanças no funcionamento das atividades acadêmicas.
Eles afirmam que o atraso no calendário universitário provocou um efeito acumulado ao longo dos semestres, fazendo com que a duração média do curso, que tradicionalmente era de seis anos, passasse para cerca de sete anos.
Com mais turmas avançando simultaneamente para as fases finais da graduação, o número de estudantes participando das atividades de internato teria aumentado significativamente.
Superlotação no internato preocupa alunos
O internato é uma etapa obrigatória do curso de medicina e ocorre nos últimos anos da graduação, quando os estudantes passam a atuar diretamente em atividades práticas supervisionadas.
Segundo os alunos, o aumento no número de participantes nas mesmas atividades tem provocado superlotação em determinados setores e prejudicado o processo de aprendizagem.
De acordo com os relatos apresentados durante o protesto, a situação pode levar a dificuldades no acompanhamento individual dos estudantes e até comprometer a qualidade da formação prática.
Os estudantes afirmam que, caso o problema não seja solucionado, existe o risco de um colapso no funcionamento do internato, devido ao volume elevado de participantes.
Estudantes pedem mudança no projeto pedagógico
Como alternativa para enfrentar a situação, os alunos pedem a reformulação do projeto pedagógico do curso de medicina.
Entre as propostas defendidas está a redução da carga horária do internato, medida que poderia ajudar a reorganizar a distribuição das atividades práticas.
Segundo os estudantes, qualquer mudança depende da análise e aprovação da própria universidade.
A mobilização busca chamar a atenção da gestão da instituição para a necessidade de discutir soluções que evitem impactos maiores no andamento do curso.
Universidade acompanha situação
Procurada para comentar o protesto, a assessoria de imprensa da Universidade Federal da Paraíba informou que a manifestação dos estudantes está relacionada a uma situação interna de um departamento da instituição.
Segundo a universidade, a reitoria está acompanhando o caso.
Ainda de acordo com a UFPB, uma reunião entre representantes dos estudantes e a gestão da universidade já foi agendada.
O encontro está marcado para acontecer na próxima quarta-feira (11), às 10h, e deverá discutir as reivindicações apresentadas pelos alunos e possíveis encaminhamentos para a situação.
Expectativa por soluções
Os estudantes esperam que o diálogo com a administração da universidade permita encontrar alternativas para reorganizar o funcionamento do internato e reduzir os impactos provocados pelo atraso no calendário acadêmico.
A reunião prevista entre representantes estudantis e a reitoria deve ser o próximo passo nas negociações, que podem definir mudanças no funcionamento do curso de medicina da UFPB nos próximos semestres.

