Equipes de resgate continuam as buscas por mais de 1.300 pessoas desaparecidas após enxurradas atingirem áreas do Nepal e da China, na região dos Himalaias. Segundo os balanços mais recentes divulgados pelas autoridades dos dois países, pelo menos 168 pessoas morreram.
No Nepal, a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres contabiliza 165 mortes e 826 desaparecidos. As buscas foram reforçadas principalmente nos distritos de Nuwakot e Rasuwa, considerados entre os mais afetados pelas chuvas.
Na China, as autoridades elevaram de 265 para 558 o número de desaparecidos em Shigatse, no Tibete. Até o momento, três mortes foram confirmadas.
Estradas e prédios são destruídos no Nepal
Imagens feitas por drones mostram a dimensão dos estragos provocados pelas enxurradas no Nepal. Estradas foram destruídas, veículos ficaram soterrados e prédios foram atingidos por grandes volumes de água e lama.
Em Nuwakot, construções aparecem cobertas por lama até a altura dos segundos andares. Destroços também ficaram presos em árvores e cabos, enquanto sobreviventes foram vistos cobertos de lama após deixarem as áreas atingidas.
As inundações interromperam o deslocamento em diferentes pontos da região e dificultaram o acesso das equipes de emergência.
Os vales e encostas localizados abaixo da cordilheira dos Himalaias são importantes corredores de transporte e atividade econômica. Ao mesmo tempo, a geografia da região aumenta a vulnerabilidade a enchentes e deslizamentos de terra.
Estrangeiros estão entre os desaparecidos
Antes da atualização mais recente, as autoridades do Nepal haviam informado que 403 pessoas estavam desaparecidas, sendo 341 estrangeiras.
Segundo Sunil Sharma, porta-voz do órgão de turismo do Nepal, 133 cidadãos indianos que participavam de uma peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete, estavam entre os desaparecidos. O local é considerado sagrado pelo hinduísmo.
A lista também incluía 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 australianos, 33 britânicos e 24 canadenses.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal informou ainda que dois portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos.
Região enfrentou desastre semelhante em 2025
A região atingida pelas enxurradas voltou a enfrentar um desastre de grandes proporções cerca de um ano após outro episódio grave.
Em agosto de 2025, um lago glaciar no Tibete transbordou após o aumento das temperaturas. Nove pessoas morreram e infraestruturas importantes foram danificadas, incluindo uma ponte que ligava o Nepal à China.
Os Himalaias atravessam diferentes países do sul da Ásia e concentram alguns dos picos mais altos do planeta, além de uma grande quantidade de geleiras.
O texto aponta que fenômenos meteorológicos extremos, como monções mais intensas e o derretimento de geleiras, vêm se tornando mais frequentes em meio ao aquecimento provocado pelas mudanças climáticas de origem humana.
Até o momento, o governo do Nepal não solicitou ajuda internacional. A Austrália informou, porém, que mantém contato com autoridades nepalesas, Nações Unidas, Cruz Vermelha e outras organizações para avaliar uma eventual resposta humanitária.

