O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a levantar questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro durante uma transmissão ao vivo realizada na tarde desta quinta-feira (23). A manifestação ocorreu dois dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL) citar uma informação falsa sobre as urnas eletrônicas em um encontro com embaixadores, em Brasília.
A transmissão foi realizada ao lado do consultor político argentino Fernando Cerimedo, que participou da campanha do presidente Javier Milei. Após as eleições brasileiras de 2022, Cerimedo fez publicações e transmissões afirmando que o resultado do pleito havia sido fraudado. As alegações foram posteriormente contestadas por especialistas que analisaram os dados. O argentino chegou a ser indiciado pela Polícia Federal no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado, mas não foi incluído na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Durante a live, Eduardo Bolsonaro afirmou que o tema teria sido "criminalizado" no Brasil e apresentou uma sequência de slides com questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas. Entre as declarações, citou um suposto documento relacionado à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) e voltou a defender a necessidade de ampliar mecanismos de auditoria do sistema eleitoral brasileiro.
O ex-deputado também afirmou que o relatório final da comissão do Exército responsável por analisar as urnas eletrônicas não teria afastado a existência de vulnerabilidades. Segundo ele, seria necessário ampliar os recursos para auditorias e investigações sobre o sistema.
Na transmissão, Eduardo e Cerimedo ainda comentaram declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a fazer acusações de fraude eleitoral. Trump também contestou o resultado das eleições presidenciais americanas de 2020, vencidas por Joe Biden.
Eduardo Bolsonaro vive atualmente nos Estados Unidos, após obter autorização de residência permanente no país. No mês passado, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo.
Na terça-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic. A informação é falsa. Conforme análise da CIA citada pelo jornal The New York Times, não há evidências de que a tecnologia utilizada na Venezuela tenha sido empregada para promover fraude eletrônica em larga escala, nem de que o governo venezuelano ou a Smartmatic tenham capacidade de manipular resultados eleitorais em outros países.
Durante o mesmo encontro com embaixadores, Flávio Bolsonaro defendeu o envio de um maior número de observadores internacionais às próximas eleições brasileiras. Atualmente, o processo eleitoral no país já é acompanhado por missões técnicas de observação internacional. Nas eleições de 2022, organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a organização norte-americana The Carter Center acompanharam o pleito e atestaram sua regularidade.

