Lançado em 2017, o documentário “Ouvidores de Vozes” traz uma abordagem sensível sobre a saúde mental ao acompanhar a rotina de Isabel, Reginaldo e Marlene, frequentadores de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Idealizado pelo psicólogo Bruno Tarpani e produzido pelo Canal Futura após vencer a 7ª edição do Doc Futura, o filme busca ampliar o debate sobre a experiência de ouvir vozes, destacando os relatos e sentimentos dos próprios protagonistas.
Protagonistas registram suas próprias experiências
Um dos aspectos mais marcantes da produção é o protagonismo dado aos participantes. Durante as gravações, Isabel, Reginaldo e Marlene receberam gravadores de áudio para registrar seus pensamentos, memórias e reflexões, criando relatos íntimos sobre o convívio diário com as vozes.
Essa escolha narrativa permite que o público conheça suas histórias a partir de seus próprios pontos de vista, tornando o documentário mais próximo e humanizado.
Filme propõe uma visão além dos diagnósticos
“Ouvidores de Vozes” se diferencia por não tratar a experiência dos personagens apenas sob uma perspectiva médica ou patológica. A obra promove uma reflexão sobre o sofrimento psíquico, o acolhimento e os desafios enfrentados por pessoas que convivem com alucinações auditivas.
O documentário também debate os preconceitos sociais relacionados à saúde mental e questiona a forma como essas pessoas são frequentemente vistas pela sociedade.
Relação com o Movimento Mundial de Ouvidores de Vozes
A produção está ligada ao Movimento Mundial de Ouvidores de Vozes (Hearing Voices Network), iniciativa internacional que defende espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências entre pessoas que convivem com esse fenômeno.
O movimento propõe uma abordagem mais horizontal, valorizando os relatos individuais e buscando reduzir o estigma em torno da saúde mental.
Onde assistir ao documentário
“Ouvidores de Vozes” está disponível no catálogo do Globoplay e também pode ser assistido gratuitamente no YouTube, onde o público encontra a produção completa e debates relacionados ao filme. Pelo You Tube através do link: https://youtu.be/05EfcxDXdRg?si=IrOH-0MRk0hjv_G8
Trecho marcante do documentário
Um dos trechos mais marcantes do documentário, é quando a paciente Marlene escreve uma carta para a Felicidade:
¨Querida felicidade,
Gostaria de chamá-la de fiel amiga, companheira, mas não posso.
Durante minha vida eu te chamei, corri atrás de você, pedi a Deus para que se tornasse minha amiga, mas todo esse esforço foi em vão.
O tempo foi passando até que li algo assim:
“o verdadeiro amigo é aquele que está sempre presente nas horas boas ou ruins”.
Com a gente não foi bem assim, nem sempre você estava comigo.
Sabe quem estava comigo nessas horas?
A tristeza. Essa foi a minha verdadeira amiga, que nunca me abandonou, permaneceu sempre ao meu lado, firme, fiel, desde o dia em que nasci até nesse momento em que estou narrando.
Minha cara felicidade não vou mais correr atrás de você, mas se um dia quiser ser minha amiga, que seja para sempre, não por alguns momentos. ¨
Marlene Maria Rosa de Barros

