O ex-jogador Diego Souza foi suspenso por 360 dias e multado em R$ 20 mil após ser acusado de utilizar um documento falsificado para obter licença profissional de treinador. A decisão foi tomada nesta terça-feira (3), pela 1ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC), em julgamento que terminou com votação unânime pela punição.
O caso envolve a documentação apresentada pelo treinador para comprovar sua formação profissional e está relacionado a uma investigação sobre a comercialização de licenças falsas de técnicos de futebol, que também envolve o ex-jogador argentino Alejandro Mancuso.
Durante o julgamento, Diego Souza se emocionou e chorou bastante ao apresentar sua versão dos acontecimentos. O treinador afirmou que foi vítima de um golpe e que acreditava na autenticidade dos documentos adquiridos para exercer a função.
Caso envolve investigação sobre licenças falsas de treinadores
Diego Souza foi anunciado como técnico do Joinville em agosto. A contratação, no entanto, passou a ser acompanhada por questionamentos sobre a validade de sua licença profissional.
Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria do TJD-SC, a Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) comunicou oficialmente à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que não existe registro acadêmico de Diego Souza na entidade referente ao curso informado no diploma apresentado pelo treinador.
O documento, supostamente emitido em dezembro de 2023, também apresentou inconsistências identificadas pela associação argentina. Entre os problemas apontados está uma divergência entre a data de emissão e a assinatura atribuída ao secretário-geral da instituição.
Além disso, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) informou que não encontrou nenhum registro de licença em nome do treinador.
Para a Procuradoria do TJD-SC, os elementos reunidos apontam para uma possível falsidade documental. A acusação também destaca que Diego Souza entregou pessoalmente a documentação ao Joinville, que utilizou os documentos para solicitar o registro profissional do técnico.
Diego Souza afirma que foi vítima de golpe
Em sua defesa, o treinador sustentou que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade na documentação apresentada. Segundo sua versão, a licença foi adquirida por intermédio de Alejandro Mancuso, e ele acreditava que o documento era legítimo.
A investigação sobre a comercialização de licenças falsas passou a envolver o nome do ex-jogador após os questionamentos sobre a autenticidade do diploma utilizado para comprovar sua qualificação profissional.
Durante a sessão de julgamento, Diego Souza demonstrou forte emoção ao falar sobre o caso. Apesar da alegação de que também teria sido prejudicado pela situação, os integrantes da 1ª Comissão Disciplinar decidiram, por unanimidade, aplicar a suspensão de 360 dias e a multa de R$ 20 mil.
Joinville mantém treinador no cotidiano do clube
Após a decisão, o Joinville informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que Diego Souza continuará participando do dia a dia da equipe.
Enquanto o caso estiver em andamento, entretanto, o time será comandado pelo auxiliar técnico Raphael Bahia. A medida mantém o profissional afastado do comando da equipe durante o período de cumprimento da punição.
A situação também envolve decisões anteriores das entidades responsáveis pelo futebol brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol cancelou o registro profissional de Diego Souza depois dos questionamentos relacionados à documentação apresentada.
Posteriormente, o Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina determinou a suspensão preventiva do treinador por 30 dias. Na ocasião, a medida também o impedia de frequentar os estádios durante o período estabelecido.
Com o julgamento desta terça-feira (3), a punição foi ampliada para 360 dias, além da aplicação da multa financeira.
Caso ainda pode ser levado a instâncias superiores
A decisão da 1ª Comissão Disciplinar não representa necessariamente o encerramento do processo. Diego Souza ainda pode recorrer ao Pleno do próprio Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina.
O caso também poderá chegar ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), instância máxima da Justiça Desportiva nacional.
Enquanto os possíveis recursos não são analisados, o treinador permanece sujeito à decisão estabelecida pelo tribunal catarinense, enquanto o Joinville terá Raphael Bahia à frente da equipe durante o andamento do caso.

