O chamado Descobrimento do Brasil nem sempre foi comemorado em 22 de abril. Segundo o pesquisador Jocelino Tomaz, até 1930 a data celebrada era 3 de maio, e há ainda questionamentos sobre o verdadeiro local da chegada dos portugueses ao território brasileiro.
Por que 3 de maio?
De acordo com Jocelino Tomaz, a escolha do dia 3 de maio estava ligada à tradição religiosa do Dia da Santa Cruz.
Isso porque a carta de Pero Vaz de Caminha, que relata a expedição de Pedro Álvares Cabral, foi considerada sigilosa por muito tempo. Sem acesso ao documento, acreditava-se que a chegada teria ocorrido na data religiosa.
Na época, o território foi inicialmente chamado de Ilha de Vera Cruz e depois Terra de Santa Cruz, reforçando a associação com o dia 3 de maio.
A descoberta da data real
A data de 22 de abril só se popularizou após a divulgação da carta de Caminha, encontrada pelo padre Manoel Aires de Casal no início do século XIX.
Mesmo assim, o 3 de maio continuou sendo comemorado oficialmente por décadas. Com a Proclamação da República, em 1889, a data foi mantida como feriado nacional.
A mudança definitiva ocorreu apenas em 1930, quando o presidente Getúlio Vargas extinguiu o feriado de 3 de maio, consolidando o 22 de abril como marco oficial.
Origem do Dia da Santa Cruz
A tradição do Dia da Santa Cruz remonta ao século IV, quando Santa Helena, mãe do imperador Constantino, teria encontrado a cruz de Jesus em Jerusalém.
A data foi posteriormente alterada pela Igreja Católica durante o Concílio Vaticano II, passando a ser celebrada em 14 de setembro.
Local do descobrimento em debate
Além da data, o local do Descobrimento do Brasil também é alvo de debate.
Tradicionalmente, acredita-se que a chegada ocorreu em Monte Pascoal, no atual município de Porto Seguro.
No entanto, um estudo recente sugere que o desembarque pode ter ocorrido próximo ao Monte Serra Verde, entre Pedra Grande e São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte.
Debate acadêmico
A tese, considerada polêmica, será discutida durante o Colóquio Câmara Cascudo, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
As novas interpretações reforçam como a história permanece em constante revisão, trazendo à tona debates sobre datas e locais que, por muito tempo, foram considerados definitivos no ensino tradicional brasileiro.

