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Delegada aponta falhas graves em morte durante salto em Limeira

Delegada aponta falhas graves em morte durante salto em Limeira

Investigação sobre morte de jovem em salto de "rope jump" indica falta de preparo da equipe e possível descarte de provas após o acidente.

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Luis Gomes
16 de junho de 2026
3 min de leitura
Brasil

A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante a prática de "rope jump" em Limeira, no interior de São Paulo, aponta falhas graves na condução da atividade. Em entrevista nesta segunda-feira, a delegada Andrea Dantas Levy afirmou que o acidente demonstra "amadorismo" e "falta de experiência" por parte da equipe responsável pelo salto realizado na manhã de sábado.

A jovem morreu após ser arremessada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar presa aos equipamentos de segurança. Segundo as investigações, ela deveria estar conectada a duas cordas, mas nenhuma delas foi afixada ao seu corpo. Imagens registradas no local mostram o momento em que instrutores a levantam e a lançam da ponte sem a proteção necessária.

Maria Eduarda sofreu múltiplos traumas ao atingir o solo. Embora tenha morrido no local, uma enfermeira que presenciou o acidente relatou que a vítima ainda apresentava sinais vitais quando recebeu os primeiros socorros.

De acordo com a delegada, os responsáveis pela atividade não possuíam empresa formalizada e operavam de maneira informal. Embora praticassem a modalidade há cerca de cinco anos, a investigação concluiu que não havia preparo adequado para conduzir uma atividade considerada de alto risco. Andrea questionou como a principal medida de segurança da prática, a corda, deixou de ser utilizada.

As apurações indicam que pelo menos dez saltos ocorreram antes do acidente. Maria Eduarda seria a primeira participante da modalidade conhecida como "aviãozinho", em que a pessoa é segurada por um grupo antes de ser lançada da estrutura.

Outro ponto investigado envolve uma câmera que estava presa ao pulso da vítima para registrar o salto. O equipamento não foi localizado até o momento. Segundo a delegada, existem indícios de que a câmera possa ter sido descartada após o acidente. A gravação não fazia parte do pacote básico do salto, avaliado em cerca de R$ 180, sendo cobrada separadamente para os participantes interessados.

Após o ocorrido, seis pessoas foram detidas. Três delas tiveram a prisão convertida em preventiva e responderão por homicídio com dolo eventual. São eles Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42. A acusação sustenta que os envolvidos assumiram o risco de provocar a morte da jovem ao permitir a realização do salto sem a fixação das cordas de segurança.

Os demais investigados foram ouvidos e liberados, mas continuam sendo alvo do inquérito. Entre eles está uma mulher que afirmou ser responsável pela divulgação dos saltos nas redes sociais. Em depoimento, ela relatou ter apagado a conta utilizada para promover a atividade por receio de represálias após a tragédia.

A Polícia Civil continua buscando testemunhas e reuniu o extrato de pagamentos da máquina de cartão utilizada pelos envolvidos para identificar possíveis participantes e obter novos relatos. As informações poderão ser incorporadas ao inquérito nos próximos dias.

O acidente ocorreu na Ponte do Esqueleto, estrutura pertencente à antiga Rede Ferroviária Federal. O local já registrou outros episódios graves. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas após se chocarem contra o solo durante saltos. Em 2024, a ponte chegou a ser interditada após a morte de uma ciclista, mas a medida não foi mantida.

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Última atualização: 16/06/2026