A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta terça-feira (30) com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apresentou um novo pedido para a prorrogação da prisão domiciliar. Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, foram apresentados argumentos relacionados ao estado de saúde do ex-presidente e esclarecimentos sobre a arma apreendida com um de seus seguranças durante uma blitz realizada em 15 de junho.
Em publicação nas redes sociais, o advogado afirmou que Moraes ouviu os argumentos "com muita urbanidade" e defendeu a continuidade do regime domiciliar. Segundo ele, os fundamentos apresentados são suficientes para justificar a manutenção da medida.
O pedido ocorre após o fim dos 90 dias de prisão domiciliar. Familiares e aliados de Bolsonaro esperam que o prazo seja prorrogado. Conforme o texto, Moraes estaria inicialmente inclinado a renovar a medida, mas a apreensão da arma levou o ministro a reavaliar a situação.
Em despacho assinado na semana passada, Moraes afirmou que o episódio envolvendo a arma pode resultar na revogação da prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, informou que, até o momento, não identifica falta disciplinar e defendeu aguardar o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal.
A defesa sustenta que o percussor da arma foi retirado pela equipe de segurança de Bolsonaro sem o conhecimento do ex-presidente, com o objetivo de evitar acidentes. Segundo essa versão, ao perceber o problema, Bolsonaro teria determinado que a pistola fosse encaminhada para conserto.
Interlocutores do ex-presidente avaliam que o posicionamento da PGR pode influenciar a decisão do STF. Ainda de acordo com o texto, outros ministros da Corte preferem que Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar.
Aliados afirmam que uma eventual transferência de Bolsonaro para a unidade prisional conhecida como Papudinha poderia fortalecer politicamente o senador Flávio Bolsonaro, apontado por integrantes do PL como possível candidato à Presidência, além de aumentar a tensão política. Pessoas próximas ao ex-presidente também afirmam que, apesar de uma melhora no quadro de saúde durante o período de prisão domiciliar, seu estado ainda é considerado frágil.
Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado no país. Ele cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, quando recebeu alta hospitalar após tratamento de broncopneumonia.

