A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) respondeu às críticas feitas pelo jornalista Paulo Figueiredo após ser questionada sobre sua participação em um encontro de mulheres conservadoras organizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O episódio ocorre em meio às divergências dentro do grupo bolsonarista após Michelle Bolsonaro afirmar ter sido desrespeitada pelo parlamentar durante uma ligação telefônica.
O encontro foi anunciado por Flávio Bolsonaro como uma iniciativa voltada ao público feminino conservador e, segundo o senador, teria organização de Damares Alves. Questionada sobre sua presença no evento, a parlamentar afirmou que ainda estava "orando" antes de tomar uma decisão, declaração que repercutiu nas redes sociais.
Em seguida, Paulo Figueiredo criticou a postura da senadora e afirmou que, caso o evento fosse promovido por integrantes da esquerda, como a primeira-dama Janja ou a deputada Maria do Rosário (PT-RS), haveria união entre as participantes.
Damares respondeu por meio das redes sociais, afirmando que o jornalista desconhece sua atuação política. Na publicação, disse que prefere enfrentar os desafios diretamente e escreveu que não permanece "atrás de um computador", mas atua "olhando nos olhos dos adversários".
A senadora também convidou Paulo Figueiredo para conhecer seu trabalho no Congresso caso ele retorne ao Brasil. Segundo a parlamentar, ele poderia acompanhar de perto sua atuação contra o que classificou como o "mal", além de observar como realiza oposição à esquerda sem atacar a honra ou a moral das pessoas.
Em resposta, o jornalista afirmou que não pode voltar ao país porque teve o passaporte bloqueado por decisão judicial. Segundo ele, a medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, há três anos.
Na réplica, Paulo Figueiredo declarou que atua contra o que considera um "regime" e criticou a atuação de Damares Alves. O jornalista afirmou que não percebe uma participação mais ativa da senadora nesse enfrentamento e ironizou o que classificou como aproximação dela com pautas feministas e projetos que, segundo ele, não representam a direita.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio das contas de Paulo Figueiredo nas redes sociais e de seu passaporte. O jornalista é investigado por suposta disseminação de discursos antidemocráticos e também responde a uma investigação por coação no curso do processo. De acordo com denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria atuado ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na tentativa de buscar sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.

