O atacante Cristiano Ronaldo anunciou nesta quinta-feira (5), aos 41 anos, sua aposentadoria da seleção de Portugal, encerrando uma trajetória de 23 anos com a camisa nacional. O maior artilheiro da história da equipe portuguesa comunicou a decisão por meio de uma carta publicada nas redes sociais, na qual agradeceu aos torcedores, companheiros, treinadores e profissionais que fizeram parte de sua caminhada.
Na mensagem de despedida, o craque destacou o significado de representar seu país e afirmou que chegou o momento de entregar a tradicional camisa 7 às próximas gerações. Cristiano encerra sua passagem pela seleção com números históricos: 146 gols em 234 partidas, marca que o coloca muito à frente dos demais artilheiros portugueses.
"Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro", escreveu o jogador.
A despedida acontece em um momento de expectativa para a seleção portuguesa, às vésperas da divulgação da lista final de convocados para os compromissos contra Dinamarca e País de Gales, marcados para os dias 14 e 17 de novembro, pela Liga das Nações. Cristiano Ronaldo estava incluído na pré-lista elaborada pelo técnico Jorge Jesus.
Cristiano Ronaldo encerra ciclo histórico com Portugal
A história de Cristiano Ronaldo com a seleção portuguesa começou em agosto de 2003, quando fez sua estreia em um amistoso contra o Cazaquistão. O primeiro gol com a camisa nacional veio em junho de 2004, justamente na partida de abertura da Eurocopa, contra a Grécia.
Desde então, o atacante construiu uma trajetória marcada por recordes individuais, participações em grandes competições e conquistas importantes para o futebol português.
Com 146 gols em 234 jogos, Cristiano é disparado o maior goleador da história da seleção. O segundo colocado no ranking é o ex-centroavante Pauleta, que marcou 47 gols em 88 partidas.
Ao longo de mais de duas décadas, o jogador também se tornou uma das principais referências da equipe, assumindo a responsabilidade de liderar diferentes gerações de atletas e representar Portugal nas principais competições internacionais.
Na carta, o craque ressaltou que sua trajetória não foi construída apenas com gols, títulos e recordes, mas também com a relação estabelecida com os torcedores portugueses espalhados pelo mundo.
"Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida", declarou.
Atrito com Jorge Jesus marcou últimos meses na seleção
O anúncio da aposentadoria ocorre após um período de desgaste na relação entre Cristiano Ronaldo e o técnico Jorge Jesus.
No fim de setembro, o atacante ficou no banco de reservas durante a vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega. Na sequência, deixou a concentração da equipe em Copenhague, na véspera do compromisso contra a Dinamarca.
A possibilidade de retorno do jogador à seleção ganhou força depois que seu nome apareceu na pré-lista de convocados para os compromissos de novembro. Entretanto, a decisão de encerrar a carreira internacional foi anunciada antes da divulgação da relação definitiva.
Em outubro, Cristiano Ronaldo havia pedido desculpas aos torcedores e aos companheiros de equipe pelo episódio. Na ocasião, porém, afirmou que Jorge Jesus não havia cumprido o que os dois tinham combinado.
O treinador, por sua vez, declarou que o atacante poderia voltar a defender Portugal caso desejasse.
Com a despedida oficial, o ciclo do maior artilheiro da história portuguesa chega ao fim, independentemente da possibilidade de uma nova convocação para os próximos compromissos.
Eurocopa e Liga das Nações estão entre as maiores conquistas
Entre os principais momentos da trajetória de Cristiano Ronaldo pela seleção estão os títulos da Eurocopa de 2016 e da Liga das Nações da Europa nas temporadas 2018/19 e 2024/25.
A conquista continental de 2016 representa um dos capítulos mais importantes da história do futebol português e da carreira do atacante, que ajudou a conduzir a equipe ao título europeu.
Em sua trajetória em Copas do Mundo, Cristiano também alcançou uma marca histórica. Ao lado do argentino Lionel Messi, é o único jogador a ter participado de seis edições do principal torneio de seleções da Fifa.
O melhor resultado de Portugal com o atacante na competição aconteceu em 2006, quando a equipe terminou na quarta colocação. Na ocasião, os portugueses perderam a disputa pelo terceiro lugar para a Alemanha.
Já na Copa do Mundo de 2026, disputada na América do Norte, Portugal acabou eliminado pela Espanha nas oitavas de final.
Ao recordar os momentos vividos com a seleção, Cristiano reconheceu que sua trajetória também foi marcada por dificuldades, derrotas e resultados que não corresponderam às expectativas dos torcedores.
"Houve tardes e noites perfeitas, vitórias que nunca esquecerei e derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri. Houve momentos em que não consegui dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal", escreveu.
Craque agradece companheiros, comissão técnica e família
Na carta, Cristiano Ronaldo também reservou espaço para agradecer às pessoas que participaram de sua caminhada pela seleção portuguesa.
O atacante destacou a importância dos companheiros de equipe, lembrando as experiências compartilhadas dentro e fora de campo, incluindo vitórias, derrotas, momentos de tensão e celebrações.
"Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, cada abraço, cada discussão, cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que comemoramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes", afirmou.
O jogador também reconheceu a contribuição dos treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros e demais funcionários que trabalharam com a seleção ao longo dos anos.
A família recebeu um agradecimento especial pela compreensão diante das ausências e dos sacrifícios exigidos pela carreira internacional.
Cristiano ainda destacou a emoção de ouvir o hino nacional antes das partidas, momento que, segundo ele, representa a união dos portugueses independentemente de diferenças sociais, profissionais ou opiniões.
"Portugal estará sempre em mim", afirma Cristiano Ronaldo
Ao concluir a mensagem, o atacante reforçou que a aposentadoria representa apenas o fim de sua trajetória dentro de campo pela seleção, mas não significa o afastamento emocional da equipe.
Cristiano afirmou que continuará acompanhando os jogos e torcendo pelas conquistas de Portugal, mantendo o orgulho de ter representado seu país durante mais de duas décadas.
"Hoje termina minha trajetória dentro de campo pela seleção nacional. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração", escreveu.
Em outro trecho emocionante, o jogador destacou que sua maior conquista vai além dos resultados esportivos e está relacionada ao reconhecimento recebido dos portugueses.
"Passei minha vida trabalhando para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo."
Cristiano encerrou a carta lembrando o menino que saiu da Madeira com o sonho de se tornar jogador de futebol e agradecendo pelos 23 anos de apoio recebido dos torcedores.
"A camisa 7 fica. O orgulho de tê-la vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim. Até sempre", concluiu.
Carta de despedida de Cristiano Ronaldo na íntegra
Na mensagem publicada nas redes sociais, Cristiano Ronaldo fez um agradecimento aos portugueses, relembrou os principais momentos de sua trajetória e explicou o significado de encerrar sua passagem pela seleção nacional.
Abaixo, confira a íntegra da carta de despedida:
Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro.
Hoje chegou o momento de entregá-la ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça. Também se tomam com o coração.
Encerro uma trajetória que começou em agosto de 2003 e mudou minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. Porque, no fim das contas, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas.
Durante toda a minha carreira na seleção, procurei superar meus limites. Quis vencer, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo mesmo. Sempre quis mais, sempre acreditei que poderíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por essa camisa.
Houve tardes e noites perfeitas, vitórias que nunca esquecerei e derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri. Houve momentos em que não consegui dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.
Ao longo desses anos, aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam sendo quebrados. Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez fiz vocês felizes, se algum gol meu fez vocês abraçarem alguém, esquecerem um momento difícil ou sentirem orgulho do nosso país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, nos levantamos juntos e voltamos a acreditar.
Portugal sempre precisará de jovens que sonham, de jogadores que nunca desistem, de novas gerações que acreditam ser possível chegar aonde ninguém chegou. Porque um país que continua criando novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si mesmo.
Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, cada abraço, cada discussão, cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que comemoramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser capitão de vocês, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.
A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e tantas outras pessoas que trabalharam comigo ao longo desses anos, meu muito obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas, sem vocês, nenhuma delas teria sido possível.
À minha família, obrigado por ter dividido esse sonho comigo. Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção precisou ocupar um espaço que também pertencia a vocês. Se cheguei tão longe, foi porque sempre estivemos de mãos dadas.
E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho ao meu redor, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E, durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.
Esse sentimento levarei comigo pelo resto da vida. Hoje termina minha trajetória dentro de campo pela seleção nacional. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.
Passei minha vida trabalhando para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo.
Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me permitirem viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, correndo atrás de uma bola.
A camisa 7 fica. O orgulho de tê-la vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.
Até sempre.
Cristiano Ronaldo.

