Os três depoimentos previstos para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foram cancelados após os convocados informarem que não compareceriam à sessão. A decisão levou o presidente do colegiado, o senador Carlos Viana, a transformar a reunião em um debate entre os parlamentares e a afirmar que poderá determinar condução coercitiva dos depoentes.
Estavam previstos para prestar depoimento Leila Mejdalani Pereira, presidente do Banco Crefisa; Artur Ildefonso Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado; e Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, presidente da Dataprev.
À comissão, as defesas de Leila Pereira e de Artur Azevedo alegaram que os clientes decidiram não comparecer por entenderem que uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que suspendeu a quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também se aplicaria aos requerimentos de convocação aprovados pela comissão.
Segundo o entendimento das defesas, a decisão do ministro teria alcance sobre todos os requerimentos aprovados pela CPMI, incluindo os que determinam a presença de testemunhas. O presidente da comissão, no entanto, afirmou que a decisão do STF se restringe à quebra de sigilo e não impede a realização dos depoimentos. Diante disso, os depoimentos de Leila Pereira e de Artur Azevedo foram remarcados para a próxima quinta-feira (12).
Já o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, havia comparecido à CPMI na quinta-feira da semana passada, quando a sessão acabou cancelada após o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil, apresentar problemas de saúde.
Nesta segunda-feira, Assumpção informou que não poderia participar da nova sessão devido à realização de exames médicos previamente agendados. A oitiva dele foi reagendada para o dia 23.
Caso não haja prorrogação dos trabalhos, a CPMI do INSS deverá ser encerrada em 26 de março. A previsão é que o relatório final elaborado por Alfredo Gaspar seja apresentado no dia 23 do mesmo mês.

