O conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, Darren Beattie, deve viajar ao país na próxima semana para cumprir uma agenda que inclui reunião com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e compromissos voltados ao acompanhamento de temas ligados ao processo eleitoral brasileiro.
A informação foi confirmada por fontes ligadas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Crítico do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Beattie pretende compreender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro. Esta será a primeira viagem dele ao Brasil após assumir o cargo de conselheiro do governo de Donald Trump.
O americano mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro e com o influenciador Paulo Figueiredo. Aliados do bolsonarismo nos Estados Unidos, eles têm intensificado pedidos para que a comunidade internacional acompanhe o processo eleitoral brasileiro. A mobilização ocorre após o governo Trump recuar da aplicação de sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.
Durante a visita, Beattie também deve tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre “fake news” e milícias digitais conduzidos pelo STF. Ele ainda deve ter agenda com representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a partir de junho será comandado pelos ministros Kássio Nunes Marques, na presidência, e André Mendonça, como vice.
A confirmação de Beattie como Conselheiro Sênior de Política para o Brasil ocorreu no fim de fevereiro. O americano já afirmou que Alexandre de Moraes seria o “principal arquiteto do complexo de censura e perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a imposição de sanções com base na Lei Magnitsky, Eduardo Bolsonaro chegou a agradecer publicamente ao conselheiro por seus esforços em uma publicação na rede social X.
Na viagem, Beattie deve passar por Brasília e São Paulo. Na capital paulista, está prevista a participação em um evento sobre minerais críticos, tema que tem sido alvo de negociações entre os Estados Unidos e diversos países. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e tem resistido a acordos de exclusividade, buscando contrapartidas em investimentos para o processamento local dos minérios.
Outro tema previsto na agenda é o combate ao crime organizado. Os Estados Unidos avaliam classificar facções brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas nos próximos dias, medida que contraria a posição do governo brasileiro.
O governo Lula chegou a apresentar, no fim do ano passado, uma proposta de combate ao crime organizado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo fontes ligadas à pasta, o plano foi considerado inadequado por não prever, entre outros pontos, a classificação de facções criminosas como grupos terroristas.
Em fevereiro do ano passado, o governo americano designou grupos do narcotráfico como a organização venezuelana Tren de Aragua e o mexicano Cartel de Sinaloa como organizações terroristas estrangeiras. Após a medida, o governo Trump iniciou operações contra embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, sob a alegação de que as tripulações eram compostas por narcotraficantes ligados a essas organizações.
Paralelamente, o presidente Lula tenta organizar uma visita oficial a Donald Trump em Washington. A reunião, inicialmente prevista para meados de março, pode ser adiada para abril em razão do início de um conflito no Irã. O governo brasileiro sinalizou que o encontro deverá incluir discussões sobre cooperação em segurança.

