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Condenado solto por engano é suspeito de matar irmã em Cuiabá

Condenado solto por engano é suspeito de matar irmã em Cuiabá

Homem solto por engano da prisão em Mato Grosso é preso suspeito de estuprar e matar a irmã de 17 anos em Cuiabá. Justiça investiga falha no alvará.

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Luis Gomes
13 de março de 2026
3 min de leitura
Brasil

Uma adolescente de 17 anos foi encontrada morta em Cuiabá, em Mato Grosso, e o principal suspeito do crime é o próprio irmão, que havia sido solto por engano da prisão dias antes. Estéfane Pereira Soares estava desaparecida desde a noite de terça-feira (10), e o corpo foi localizado na noite de quarta-feira (11) em um córrego, em uma área de mata da capital.

O suspeito é Marcos Pereira Soares, de 23 anos, condenado a 19 anos de prisão por latrocínio cometido em 2020 contra Severino Messias Santos, de 56 anos. Ele cumpria pena e realizava atividades extramuros quando recebeu, por engano, um alvará de soltura na semana passada e deixou o presídio.

A advogada Delma Maia de Oliveira Soares da Silva, que já representou Marcos em outro processo, informou que não atua na defesa dele neste caso e que, até o momento, nenhum advogado havia sido formalmente nomeado. Segundo ela, o suspeito entrou em contato na sexta-feira (6) para avisar que havia recebido o alvará de soltura. O documento, porém, estava relacionado a um processo por descumprimento de medida protetiva da Lei Maria da Penha, e não ao processo em que ele foi condenado por latrocínio, o que indicaria que ele deveria permanecer preso.

A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso abriu procedimento para apurar as circunstâncias da libertação. Em análise preliminar, o tribunal identificou possível falha humana na verificação de dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), relacionada à existência de dois registros judiciais individuais vinculados ao mesmo nome. Segundo o tribunal, até o momento não há indícios de falha no funcionamento do sistema.

De acordo com o boletim de ocorrência, o corpo da adolescente foi encontrado submerso em um córrego, com a mão e a perna esquerda amarradas entre as raízes de uma árvore e uma pedra grande sobre as costas. A delegada Jéssica Assis, responsável pelo caso, afirmou que o corpo apresentava sinais severos de violência. A vítima estava nua, enrolada em um lençol, com os pés amarrados e com indícios de agressão sexual.

A investigação aponta que, após deixar a prisão, Marcos teria procurado a irmã na casa onde ela morava com o namorado e a chamado para conversar. Depois desse encontro, a jovem não foi mais vista. Durante as buscas, familiares pressionaram o suspeito sobre o paradeiro da adolescente, mas ele teria desconversado e fugido para uma área de mata.

O corpo foi localizado horas depois por familiares e moradores da região. Ainda durante a madrugada de quinta-feira (12), policiais militares encontraram Marcos caminhando por uma avenida. Ele foi detido e levado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Na sequência, a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito. Ele foi autuado por sequestro, estupro, feminicídio e ocultação de cadáver, e a polícia também investiga indícios de tortura.

Ao sair da delegacia, Marcos chorou e negou participação no crime. Segundo a delegada, ele afirmou que apenas havia saído para conversar com a irmã e que depois cada um seguiu seu caminho. A investigadora, porém, afirmou que as versões apresentadas não coincidem com as apurações da Polícia Civil.

Uma das principais provas citadas pela investigação são as roupas da vítima encontradas com o suspeito. De acordo com a delegada, Marcos disse não reconhecer as vestes e alegou que poderia ter sido vítima de uma armação.

Ainda na carceragem, o suspeito tentou suicídio, mas sobreviveu e foi levado novamente para a prisão. Não foram divulgadas mais informações sobre seu estado de saúde.

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Última atualização: 13/03/2026