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Comissão vota PEC do fim da escala 6x1 nesta quarta

Comissão vota PEC do fim da escala 6x1 nesta quarta

Comissão da Câmara deve votar PEC que reduz jornada para 40 horas semanais e prevê fim da escala 6x1.

Carlos HenriqueCarlos Henrique
27 de maio de 2026
3 min de leitura
Brasil

A comissão especial da Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira (27) o parecer da PEC que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. O relatório foi apresentado pelo deputado Leo Prates e estabelece um período de transição de até 14 meses para implementação das novas regras trabalhistas.

Relatório prevê redução gradual da jornada

O parecer apresentado na última segunda-feira (25) propõe que a redução da carga horária ocorra em duas etapas.

Segundo o texto, as primeiras duas horas semanais deverão ser reduzidas em até dois meses após a promulgação da PEC. Já a redução completa para 40 horas semanais deverá ocorrer em até 12 meses após a primeira etapa.

A proposta poderia ter sido votada ainda na segunda-feira, mas um pedido de vista do deputado Maurício Marcon adiou a análise para esta quarta.

Proposta prevê duas folgas semanais

Além da redução da jornada, a PEC também estabelece o fim da escala 6x1, garantindo ao trabalhador pelo menos duas folgas remuneradas por semana.

O texto determina que uma dessas folgas seja concedida preferencialmente aos domingos.

A proposta ainda prevê que o trabalhador tenha assegurado o descanso dentro do período máximo de uma semana de trabalho.

Hugo Motta acelerou tramitação da PEC

A tramitação da proposta ganhou velocidade com apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta.

Motta autorizou sessões extras na Casa para acelerar o prazo de apresentação de emendas e permitir avanço mais rápido da discussão na comissão especial.

A comissão analisou duas propostas distintas: uma de autoria do deputado Reginaldo Lopes e outra da deputada Erika Hilton.

Ambas defendiam a redução para 36 horas semanais, mas o acordo final estabeleceu jornada de 40 horas com duas folgas semanais.

Texto altera direitos previstos na Constituição

A PEC altera o trecho da Constituição Federal relacionado aos direitos e garantias fundamentais do trabalhador.

O parecer deixa expresso que a duração do trabalho normal não poderá ultrapassar oito horas diárias e quarenta horas semanais.

O texto também mantém a possibilidade de compensação de horários e ajustes por meio de acordos ou convenções coletivas de trabalho.

Convenções incompatíveis perderão validade

Outro ponto previsto no relatório estabelece que convenções e acordos coletivos incompatíveis com as novas regras perderão validade automaticamente após 60 dias da promulgação da PEC.

Segundo o relator, a medida busca estimular negociações entre sindicatos e empresas para adequação às novas jornadas de trabalho.

O período de transição foi um dos temas mais discutidos durante as negociações entre parlamentares, empresários e representantes do governo federal.

Trabalhadores de alta renda ficam fora das regras

A proposta prevê exceção para trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração a partir de duas vezes e meia o teto do INSS, atualmente em torno de R$ 21,1 mil.

Para esses profissionais, as regras relacionadas à jornada e controle de ponto não serão aplicadas.

De acordo com os defensores da medida, a exclusão busca reduzir a chamada “pejotização” e garantir maior flexibilidade para profissionais de alta renda.

PEC ainda precisará passar pelo plenário e Senado

Caso seja aprovada na comissão especial, a proposta seguirá para votação no plenário da Câmara dos Deputados.

Para avançar, serão necessários pelo menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação.

Depois disso, a PEC ainda precisará ser analisada pelo Senado Federal antes de eventual promulgação.

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Última atualização: 27/05/2026