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Ciro Gomes contesta resultado no Ceará e promete ir à Justiça

Ciro Gomes contesta resultado no Ceará e promete ir à Justiça

Derrotado no 1º turno no Ceará, Ciro Gomes afirma que vai contestar o resultado na Justiça e questiona decisão de Dias Toffoli.

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Luis Gomes
7 de outubro de 2026
4 min de leitura
Política

Derrotado na disputa pelo Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) afirmou nesta terça-feira (6) que pretende contestar na Justiça o resultado das eleições. Foi a primeira manifestação pública do candidato desde domingo (4), quando Elmano de Freitas (PT) foi reeleito no primeiro turno.

Elmano recebeu 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% de Ciro. Em uma publicação nas redes sociais intitulada “manifesto ao povo cearense”, o tucano afirmou que não reconhece o resultado e disse que pretende apresentar uma reclamação formal à Justiça.

“Não cumprimentei o candidato vitorioso. Ele não ganhou, ele e sua organização criminosa tomaram as eleições! Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é que fomos roubados”, afirmou Ciro.

Elmano foi procurado pela Folha, por meio de sua assessoria, para comentar as declarações, mas não houve resposta.

Ciro questiona decisão de Dias Toffoli

Na publicação, Ciro afirmou que sua campanha foi orientada pelo setor jurídico a contestar o resultado. O candidato também direcionou críticas à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relacionada à propaganda eleitoral de Elmano e dos candidatos ao Senado.

“Consultado pelo jurídico de nossa campanha, concordei que fosse feita uma reclamação à justiça -digo logo que não acredito nela neste país apodrecido mas vale documentar que sigo lutando”, escreveu.

No dia 24 de setembro, Toffoli atendeu a uma reclamação apresentada pela coligação de Elmano e determinou o acréscimo de 30 segundos ao tempo de propaganda eleitoral gratuita da coligação em cada veiculação no rádio e na televisão.

A decisão não previa redução do tempo destinado à campanha de Ciro.

Segundo a campanha de Elmano, as emissoras de rádio e televisão não haviam acrescentado o tempo determinado. As empresas alegaram que não poderiam cumprir a decisão por falta de parâmetros claros estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Toffoli considerou que houve descumprimento da ordem judicial e rejeitou a justificativa apresentada pelas emissoras. Com isso, determinou que a compensação fosse realizada na sexta-feira (2) e no sábado (3), véspera da votação.

A propaganda eleitoral gratuita, porém, havia sido encerrada na quinta-feira (1º).

Tucano critica propaganda antes da eleição

Ciro também questionou o conteúdo exibido durante o período determinado pela decisão judicial e criticou diretamente Dias Toffoli.

O candidato chamou o ministro de “ex-advogado do PT” e afirmou que a decisão permitiu a veiculação de mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seis candidatos ao Senado na sexta e no sábado anteriores à eleição.

“Ele autorizou mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seis senadores durante a sexta e o sábado quando a lei, muito clara, veda a propaganda nesses dois dias que antecedem o pleito. Quantos cearenses aderiram ao PT por causa dessa inédita bateria de propaganda?”, questionou.

Na sequência, Ciro ampliou as críticas ao Supremo Tribunal Federal.

“Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro. A república brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes nos assaltaram no domingo”, declarou.

Resultado amplia hegemonia do PT no Ceará

A vitória de Elmano no primeiro turno representa o quarto mandato consecutivo do PT no Governo do Ceará e impõe uma derrota a Ciro Gomes, que buscava reconstruir sua trajetória política a partir de seu principal reduto eleitoral.

A campanha foi marcada por disputas judiciais, palanques divididos e estratégias eleitorais diferentes entre os candidatos. Ciro e Elmano, que haviam sido aliados até 2022, trocaram acusações durante a disputa e chegaram a protagonizar um confronto em um debate televisivo.

Após quatro candidaturas à Presidência da República, Ciro tentou retomar espaço político no Ceará. Ele voltou ao PSDB depois de três décadas e disputou o governo estadual com o apoio de partidos como União Brasil, PP e PL, mantendo neutralidade na eleição presidencial.

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Última atualização: 07/10/2026