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Christa Pike acorda após médicos declararem morte cerebral

Christa Pike acorda após médicos declararem morte cerebral

Condenada à morte no Tennessee, Christa Pike acordou após médicos declararem morte cerebral depois de duas tentativas de execução.

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Luis Gomes
8 de outubro de 2026
5 min de leitura
Internacional

Christa Pike, de 50 anos, surpreendeu médicos e advogados ao recuperar a consciência e começar a falar na terça-feira (6), após ter sido declarada em morte cerebral depois de duas tentativas de execução por injeção letal no Tennessee, nos Estados Unidos. Segundo a defesa, os advogados haviam sido informados na segunda-feira (5) de que o suporte de vida seria desligado no dia seguinte.

A recuperação da condenada à morte foi revelada na quarta-feira (7) pelo advogado Randy Spivey, durante uma entrevista coletiva à imprensa americana.

“Na noite de segunda-feira, tínhamos entendido que Christa estava em morte cerebral e que o suporte de vida seria retirado no dia seguinte”, afirmou Spivey. Segundo ele, porém, a situação mudou na manhã seguinte.

“Mas, na terça-feira, para surpresa de todos, Christa acordou e começou a falar”, acrescentou o advogado.

Spivey afirmou que ainda não há uma explicação para o que aconteceu entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira. Ele também destacou que a cliente ainda terá um longo período de recuperação.

De acordo com o advogado, as primeiras palavras de Pike após recuperar a consciência teriam sido: “Onde estou e quem são vocês?”. A defesa, entretanto, ressaltou que a informação sobre a morte cerebral foi relatada pelos próprios advogados, sem divulgação de documentos médicos que confirmem o diagnóstico.

Estado de saúde ainda preocupa

Apesar de ter acordado, Christa Pike continua enfrentando complicações de saúde após as tentativas de execução. Segundo Randy Spivey, ela apresenta um coágulo sanguíneo no braço, pneumonia e ainda não consegue engolir.

O advogado afirmou que Pike está “irritada e confusa com tudo neste momento” e que, até certo ponto, compreende o que aconteceu com ela.

A defesa também informou que os braços da condenada ficaram queimados e com bolhas durante as tentativas de aplicação da injeção letal. Mesmo internada no hospital, Pike permanece algemada à cama.

Justiça determina preservação de provas

Durante uma audiência realizada na quarta-feira, em Nashville, os advogados de Christa Pike pediram que o Departamento de Correção do Tennessee fosse obrigado a preservar todas as evidências relacionadas à execução fracassada.

A juíza I'Ashea Myles determinou que o estado preservasse tudo o que estivesse na sala de execução. A decisão abrange gravações, relatos de testemunhas, e-mails, medicamentos, seringas, acessos intravenosos e outros materiais médicos usados durante o procedimento.

O defensor público federal Luke Ihnen explicou que uma das dificuldades enfrentadas pela defesa foi o fato de Pike ter permanecido inconsciente até então, sem condições de se comunicar com advogados ou profissionais de saúde.

“Parte do problema que enfrentamos é que, até ontem, nossa cliente estava inconsciente, incapaz de se comunicar com os advogados e com os profissionais de saúde. Sem o consentimento dela, não é possível apresentar uma nova ação judicial”, afirmou ao tribunal.

A defesa também solicitou acesso aos números dos lotes dos medicamentos, às agulhas e aos registros da execução. O gabinete do procurador-geral do Tennessee, porém, argumentou que a ordem judicial não seria necessária.

Segundo o procurador-geral adjunto John W. Ayers, as provas existentes na câmara de execução já haviam sido recolhidas e registradas.

Falha pode ter relação com acessos intravenosos

Especialistas em medicina e em procedimentos de injeção letal levantaram a possibilidade de que problemas nos acessos intravenosos tenham impedido que os medicamentos chegassem adequadamente à corrente sanguínea de Pike.

De acordo com essa hipótese, as substâncias poderiam ter se acumulado nos tecidos da condenada. No pedido apresentado à Justiça, os advogados afirmaram que aparentemente nenhum integrante da equipe responsável pela execução percebeu que os acessos intravenosos estavam posicionados de maneira incorreta ou que as veias haviam se rompido.

Testemunhas relataram que Pike permaneceu acordada após o início da administração dos medicamentos. Ela teria conversado e cantado com seu orientador espiritual, além de continuar se movimentando e respirando de maneira audível após a primeira dose.

Ainda segundo os relatos, a condenada permanecia viva e emitia sons depois da segunda tentativa de aplicação da injeção letal. Posteriormente, ela foi retirada da prisão em uma ambulância.

O governador republicano do Tennessee, Bill Lee, classificou o episódio como “profundamente perturbador” e determinou uma revisão abrangente realizada por terceiros para esclarecer o que ocorreu.

O governador também adiou a única outra execução prevista no estado para este ano. Após o episódio, o chefe do sistema prisional pediu demissão.

Condenação de Christa Pike

Christa Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995. As duas participavam do programa de formação profissional Job Corps, em Knoxville, no Tennessee.

Segundo a acusação, Pike acreditava que Slemmer tentava conquistar seu namorado, Tadaryl Shipp.

Em 12 de janeiro de 1995, Slemmer foi atraída para uma área de mata, onde foi esfaqueada e espancada até a morte. Durante o ataque, Pike utilizou um estilete e um pedaço de asfalto.

Um pentagrama também foi gravado no corpo da vítima. Shipp admitiu ter sido responsável por fazer a marca.

O caso teve grande repercussão nos Estados Unidos. Em março de 1996, Christa Pike foi condenada à morte. O namorado recebeu prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional, por ser menor de idade na época do assassinato.

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Última atualização: 08/10/2026