O acidente com o césio-137, ocorrido em 1987, em Goiânia, é considerado um dos maiores desastres radioativos do mundo fora de usinas nucleares, colocando o Brasil no mapa global de tragédias envolvendo radiação.
Como tudo começou
Tudo teve início quando dois catadores encontraram um equipamento de radioterapia abandonado em uma clínica desativada e decidiram desmontá-lo.
Dentro da máquina havia uma cápsula com material altamente radioativo. Sem saber do perigo, eles abriram o recipiente e tiveram contato direto com o césio-137.
O material acabou sendo vendido a um ferro-velho, onde o brilho azulado da substância chamou a atenção de moradores, que passaram a manusear e até compartilhar o pó contaminado.

Contaminação silenciosa e sintomas ignorados
Nos dias seguintes, diversas pessoas começaram a apresentar sintomas como vômitos, diarreia, tontura e queimaduras na pele, sinais típicos de exposição à radiação.
Inicialmente, os casos foram tratados como intoxicação alimentar ou reações alérgicas, o que atrasou a identificação do problema.
A situação só começou a mudar quando a cápsula foi levada a um órgão de saúde, levantando suspeitas sobre a origem da contaminação.

Descoberta do risco e corrida contra o tempo
O físico Walter Mendes Ferreira foi chamado para analisar o material e rapidamente identificou níveis altíssimos de radiação.
A partir daí, autoridades como a Comissão Nacional de Energia Nuclear iniciaram uma operação emergencial para conter o desastre.
Milhares de pessoas foram levadas para triagem em um estádio, onde passaram por exames e processos de descontaminação.

Números do desastre
Mais de 110 mil pessoas foram examinadas
249 apresentaram contaminação significativa
Cerca de 6 mil toneladas de resíduos radioativos foram geradas
Quatro pessoas morreram em decorrência da exposição
Entre as vítimas fatais está Leide das Neves Ferreira, uma criança de seis anos que teve contato direto com o material.

Pânico e desinformação
O acidente gerou medo generalizado em Goiás e em todo o país.
Houve episódios de preconceito contra moradores da região e até tentativas de impedir o enterro das vítimas, por receio de contaminação.
Além disso, imóveis, objetos pessoais e até áreas inteiras da cidade precisaram ser demolidos ou isolados.
Consequências e legado
O caso expôs falhas graves no controle de materiais radioativos no Brasil e levou a mudanças nas normas de segurança.
O governo passou a pagar pensões vitalícias a centenas de vítimas diretas e indiretas do acidente.
Décadas depois, o desastre segue como alerta sobre os riscos da manipulação inadequada de material radioativo e a importância da informação em situações de crise.

Caso virou série
A história voltou ao debate público com a série Emergência Radioativa, lançada pela Netflix, que retrata os acontecimentos e seus impactos.

O acidente com césio-137 em Goiânia permanece como um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil, não apenas pelos danos causados, mas também pelas lições deixadas sobre responsabilidade, prevenção e gestão de crises.

