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Celina Leão é reeleita governadora do DF em segundo turno

Celina Leão é reeleita governadora do DF em segundo turno

Celina Leão é reeleita governadora do Distrito Federal com 57,21% dos votos válidos na apuração parcial e terá mandato até 2030.

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Luis Gomes
26 de outubro de 2026
5 min de leitura
Política

Celina Leão (PP), de 49 anos, foi reeleita governadora do Distrito Federal neste domingo (25), após a disputa do segundo turno das eleições de 2026. Com mais de 90% das urnas apuradas, o resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a candidata já apresentava uma vantagem matematicamente irreversível sobre Leandro Grass (PT). Na apuração parcial, Celina registrava 57,21% dos votos válidos, contra 42,70% do adversário.

A vitória garante à atual chefe do Executivo distrital um mandato até o fim de 2030. A eleição ocorreu após uma campanha marcada por disputas políticas e pelo desgaste relacionado à tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que se tornou um dos principais desafios da administração do Distrito Federal.

Celina Leão chega ao segundo mandato após trajetória política no DF

Esta foi a primeira vez que Celina Leão disputou diretamente o cargo de governadora. Antes de assumir o comando do Distrito Federal, ela exerceu mandatos como deputada distrital e deputada federal. Em 2023, tornou-se vice-governadora na gestão de Ibaneis Rocha (MDB).

Celina assumiu o governo em março, depois que Ibaneis deixou o cargo com a intenção de disputar uma vaga no Senado. Em julho, o ex-governador anunciou que desistiria da candidatura, em meio ao desgaste provocado pela tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

Durante a campanha eleitoral, Celina se distanciou politicamente do ex-governador e dividiu palanques com nomes da direita no Distrito Federal. Entre os apoiadores estavam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), a deputada Bia Kicis (PL), ambas eleitas senadoras, e Damares Alves (Republicanos), que já ocupa uma cadeira no Senado. A candidata também recebeu apoio de Flávio Bolsonaro (PL).

Disputa pelo governo começou com segundo turno apertado

A definição da eleição em segundo turno ocorreu após uma disputa inicial mais equilibrada. No primeiro turno, Celina Leão recebeu 49,93% dos votos válidos, enquanto Leandro Grass obteve 34,47%.

Além dos dois candidatos que avançaram à etapa final, também participaram do primeiro turno Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).

A disputa também foi marcada pela rejeição da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), em razão de condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.

Arruda governou o Distrito Federal entre 2007 e 2010 e chegou a aparecer tecnicamente empatado com Celina em uma simulação de primeiro turno da pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto. A campanha perdeu força diante da possibilidade de ele ser impedido de concorrer, situação confirmada por decisão do TSE em 24 de setembro, quando já aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.

Prorrogação da votação provocou confusão em seções eleitorais

A votação do segundo turno também foi marcada por uma situação inédita no país. Uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação por duas horas do horário de votação em todo o Brasil, pouco depois das 17h.

A medida provocou confusão entre mesários e presidentes de seção em alguns locais, onde as urnas já haviam sido encerradas e os boletins de urna impressos.

Para projetar a vitória de um candidato, o Datafolha acompanha os dados de apuração divulgados pelo TSE e utiliza um sistema próprio que considera o agrupamento de eleitores por mesorregião e pela natureza dos municípios de cada estado. Quando há votos suficientes apurados nesses agrupamentos, o instituto consegue estimar se um candidato não pode mais ser ultrapassado.

Caso Master-BRB será um dos desafios da governadora reeleita

Entre os principais desafios de Celina Leão para o novo mandato está a crise envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. A governadora era vice de Ibaneis Rocha quando a operação foi discutida e, durante a campanha, afirmou que não participou das negociações.

Celina também declarou que não mantinha contato com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, atualmente preso. A governadora sustentou ainda que nunca teve contato com Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e que sempre foi contrária à operação.

Em abril de 2025, porém, Vorcaro afirmou, em diálogos extraídos de seu celular e revelados pela Folha de S.Paulo, que Celina “não ficou de fora” das discussões. Nas mesmas conversas, ele classificou o discurso atribuído a ela como “jogo pra se preservar na política”.

Celina contestou a interpretação dos diálogos e afirmou que a reportagem estava fora de contexto, criando “uma narrativa que não é verdadeira”.

O Banco Central rejeitou a aquisição em setembro de 2025. Em novembro daquele ano, o órgão liquidou o Banco Master, após a prisão de Vorcaro em uma operação da Polícia Federal, quando ele embarcava em um jatinho com destino ao exterior.

Prejuízo bilionário no BRB e empréstimo de R$ 6,6 bilhões

A compra de carteiras de crédito falsas do Master, seguida da tentativa de aquisição da instituição, provocou um rombo bilionário no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal.

Investigações da Polícia Federal concluíram que o banco público transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. Desse total, aproximadamente R$ 12,2 bilhões corresponderiam a títulos falsos, sem valor.

Até o momento descrito no material, o tamanho total do prejuízo do BRB ainda não havia sido divulgado. Também não tinham sido apresentados relatórios operacionais completos, incluindo as demonstrações de resultados de 2025 e do primeiro semestre de 2026.

Para recompor o caixa da instituição, Celina tem defendido a obtenção de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proposta, entretanto, enfrenta resistência de grandes bancos que participariam da operação como fiadores.

A crise financeira do BRB e as medidas necessárias para recuperar a instituição devem permanecer entre os assuntos centrais da administração distrital. Com a reeleição, Celina Leão terá mais quatro anos à frente do Governo do Distrito Federal para conduzir as decisões relacionadas ao banco e aos demais desafios da gestão pública.

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Última atualização: 26/10/2026