A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) quer combater críticas à arbitragem no futebol brasileiro e estuda medidas para punir declarações consideradas excessivas. O tema foi discutido em reunião com clubes nesta segunda-feira (06), após declarações como a do zagueiro David Duarte, do Bahia, que acusou a arbitragem de “roubo” em jogo contra o Palmeiras.
A iniciativa faz parte de um debate mais amplo sobre a criação de uma liga única e a melhoria do produto futebol no país. Segundo a entidade, a forma como jogadores, dirigentes e comissões técnicas se manifestam influencia diretamente a percepção de valor do campeonato. Pesquisas internas apontam que parte dos torcedores deixou de assistir aos jogos por falta de confiança na arbitragem.
A CBF reconhece que erros acontecem, mas critica o discurso recorrente que associa falhas a má intenção dos árbitros. Para a entidade, esse tipo de declaração contribui para a desconfiança do público e prejudica a credibilidade da competição.
No cenário defendido pela confederação, críticas consideradas exageradas podem resultar em punições aplicadas por um tribunal administrativo, independente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A proposta integra um conjunto de medidas voltadas à melhoria do espetáculo, incluindo a análise do tempo de bola em jogo no Brasileirão.
Dados apresentados indicam que, em comparação com as principais ligas da Inglaterra, Espanha e Alemanha, o futebol brasileiro registra mais cartões amarelos e vermelhos, maior número de faltas por partida e maior tempo de intervenção do árbitro de vídeo (VAR). Esses fatores estariam ligados à menor aprovação da arbitragem entre os torcedores.
A entidade também ressaltou que a responsabilidade pelo andamento das partidas não é exclusiva da arbitragem. A CBF destacou que práticas como simulações e antijogo partem dos atletas, enquanto a pressão institucional e a cultura de reclamação impactam o comportamento em campo e o tempo efetivo de jogo.
O comportamento de comissões técnicas também entrou na pauta. O técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, será julgado duas vezes no mesmo dia pelo STJD por expulsões no início do campeonato.
Após a reunião, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, defendeu punições mais amplas para críticas à arbitragem. Segundo ela, jogadores, treinadores e dirigentes que desrespeitam árbitros em entrevistas deveriam ser responsabilizados, assim como ocorre com profissionais punidos durante as partidas.

