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Câmeras registram fuga de cinco presos de Alcaçuz

Câmeras registram fuga de cinco presos de Alcaçuz

Imagens mostram cinco presos fugindo de Alcaçuz após danificarem sistema de ventilação e usarem corda feita com lençóis.

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Ana Vívian
14 de agosto de 2026
4 min de leitura
Policial

Imagens divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) registraram a movimentação dos cinco presos que fugiram da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal. A fuga aconteceu na madrugada do dia 2 de maio, entre 0h e 1h, mas só foi descoberta pela manhã, durante a contagem dos detentos nas celas.

As imagens das câmeras de monitoramento mostram os cinco presos já do lado de fora do pavilhão 1 da unidade. No momento da fuga, chovia forte na região.

Segundo a Seap, os detentos danificaram a estrutura do sistema de ventilação para conseguir sair da cela. Depois, atravessaram um muro interno até chegar à área que dava acesso ao muro principal da penitenciária.

Presos usaram corda feita com lençóis

Para escapar da unidade, os cinco presos utilizaram uma corda improvisada com lençóis, conhecida no sistema prisional como "teresa".

Com o equipamento improvisado, eles conseguiram pular o muro principal de Alcaçuz, que tem mais de cinco metros de altura.

Uma semana antes da fuga, dois presos já haviam tentado escapar pelo sistema de ventilação de uma cela no presídio Rogério Coutinho Madruga, que fica ao lado de Alcaçuz.

Na ocasião, policiais penais de plantão e equipes da Central de Rádio e Videomonitoramento impediram a fuga.

Secretário classificou fuga como surpresa

O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga foi uma "surpresa" para o sistema prisional.

Segundo a Seap, Alcaçuz não registrava uma fuga havia quase cinco anos.

"Apesar de ser uma unidade antiga, a gente vem fazendo alguns reparos na unidade e foi realmente uma surpresa para a gente", afirmou Helton Edi Xavier.

O secretário também afirmou que a penitenciária possui centenas de câmeras de monitoramento e que, apesar de alguns equipamentos poderem ficar fora do ar, não existem áreas sem cobertura de imagens na unidade.

"Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros ângulos que permitem o monitoramento", explicou.

Direção havia pedido manutenção de câmeras

Dois memorandos enviados pela direção da Penitenciária de Alcaçuz à Seap pediram manutenção das câmeras de monitoramento dos pavilhões 1 e 4.

Os documentos são datados de 20 de março e 2 de abril. O pavilhão 1 foi justamente o local onde ocorreu a fuga dos cinco presos.

Apesar das solicitações de manutenção, o secretário da Administração Penitenciária afirmou que não havia áreas da unidade sem cobertura de monitoramento.

Sindicato aponta guaritas desativadas

A presidente do Sindicato de Policiais Penais do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, apontou outro fator que, na avaliação dela, pode ter contribuído para a fuga: a desativação das 10 guaritas da penitenciária.

Segundo ela, o baixo efetivo disponível no posto dificultava a visualização das áreas da unidade.

"Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualizações. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas", disse Vilma Batista.

As declarações apresentam avaliações diferentes sobre as condições de segurança no momento da fuga. Enquanto a Seap afirma que não existem áreas sem cobertura de imagens, o sindicato aponta a desativação das guaritas e o baixo efetivo como fatores que teriam dificultado a vigilância.

Alcaçuz tem histórico de rebeliões e fugas

A Penitenciária de Alcaçuz foi criada em 1998 com a proposta de solucionar problemas relacionados à Penitenciária Central Doutor João Chaves, conhecida como "Caldeirão do Diabo", na Zona Norte de Natal.

A unidade ficou marcada por um dos episódios mais violentos do sistema prisional do Rio Grande do Norte. Em 2017, Alcaçuz foi palco de uma rebelião que deixou 26 presos mortos. Outros 56 detentos fugiram durante o episódio, que ficou conhecido como "Massacre de Alcaçuz".

A unidade também não foi a única penitenciária da região a registrar tentativa ou fuga de presos nos últimos anos. O presídio Rogério Coutinho Madruga, localizado ao lado de Alcaçuz, registrou uma fuga em 2024 e teve uma tentativa de fuga pelo sistema de ventilação uma semana antes do episódio de maio.

Fuga só foi descoberta pela manhã

Apesar de a fuga ter acontecido durante a madrugada, entre 0h e 1h, a ausência dos cinco presos só foi identificada pela manhã, durante a contagem dos detentos nas celas.

As imagens de monitoramento registraram parte da movimentação dos presos depois que eles já haviam deixado o pavilhão 1.

O caso levantou questionamentos sobre as condições de segurança da unidade, especialmente diante dos pedidos anteriores de manutenção de câmeras e das informações sobre as guaritas desativadas.

A Seap informou que a penitenciária possui cobertura por câmeras e que outros ângulos permitem o monitoramento quando algum equipamento apresenta falha.

Fonte: g1 Paraiba

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Última atualização: 14/08/2026