O Brasil registrou uma queda de 8,2% nas Mortes Violentas Intencionais (MVIs), segundo dados divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Apesar da redução dos homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, o levantamento alerta para um cenário preocupante: os casos de feminicídio cresceram 4% no mesmo período.
Os números revelam que, embora o país apresente avanços no enfrentamento da violência letal em geral, os crimes motivados pela condição de gênero continuam aumentando e representam um dos principais desafios para as políticas públicas de proteção às mulheres.
Redução dos índices de violência letal
O estudo aponta que a diminuição das mortes violentas reflete uma tendência observada em diversos estados brasileiros, resultado de fatores como o fortalecimento das ações de inteligência policial, investimentos em segurança pública e mudanças nas dinâmicas da criminalidade em algumas regiões.
As Mortes Violentas Intencionais incluem:
Homicídio doloso;
Latrocínio (roubo seguido de morte);
Lesão corporal seguida de morte;
Mortes decorrentes de intervenção policial.
Mesmo com a redução nacional, especialistas ressaltam que a violência permanece distribuída de forma desigual pelo país, com municípios e estados ainda registrando índices elevados.
Feminicídios preocupam especialistas
Enquanto os indicadores gerais apresentam melhora, o crescimento de 4% nos feminicídios demonstra que a violência contra a mulher continua exigindo respostas mais efetivas do poder público.
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero, geralmente relacionado a contextos de violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação contra a condição feminina.
Pesquisadores destacam que esse tipo de crime costuma ser precedido por episódios de agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, sexuais ou morais, o que reforça a importância da denúncia e da atuação preventiva dos órgãos de proteção.
Desafio vai além da segurança pública
Especialistas afirmam que o enfrentamento da violência exige uma atuação integrada entre forças policiais, sistema de Justiça, assistência social, educação e políticas de proteção às mulheres.
Também são consideradas fundamentais ações de conscientização, fortalecimento da rede de atendimento às vítimas, ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), medidas protetivas de urgência e programas voltados à prevenção da violência de gênero.
Indicadores orientam políticas públicas
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é uma das principais referências nacionais sobre criminalidade e reúne dados oficiais enviados pelas secretarias estaduais de segurança pública.
Além de apresentar um panorama da violência no país, o relatório auxilia governos, pesquisadores e instituições na formulação de políticas públicas baseadas em evidências, permitindo identificar avanços e desafios em diferentes áreas da segurança.
Os resultados divulgados neste ano mostram que, embora o Brasil tenha avançado na redução das mortes violentas em geral, o crescimento dos feminicídios evidencia a necessidade de ampliar estratégias de proteção às mulheres e combater todas as formas de violência de gênero.
Créditos: Com informações de O Tempo e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

