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Ataque russo deixa mortos e atinge mosteiro histórico em Kiev

Ataque russo deixa mortos e atinge mosteiro histórico em Kiev

Bombardeio em larga escala provoca mortes na Ucrânia, danifica patrimônio da Unesco e aumenta tensão antes de reunião do G7.

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Luis Gomes
16 de junho de 2026
3 min de leitura
Internacional

Pelo menos 11 pessoas morreram na madrugada desta segunda-feira após um novo ataque russo em larga escala contra a Ucrânia. A ofensiva atingiu diversas regiões do país, especialmente a capital Kiev, onde o histórico mosteiro Kyiv Pechersk Lavra, considerado um dos principais símbolos culturais e religiosos ucranianos, foi atingido e sofreu graves danos.

Os ataques ocorreram um dia após o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmar que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis iniciativas para encerrar o conflito, que já dura mais de quatro anos. O tema também deve ser discutido durante a reunião do G7 prevista para esta semana na França.

Em Kiev, os bombardeios atingiram vários bairros e deixaram ao menos cinco mortos e 34 feridos, segundo autoridades locais. Em Kharkiv, no nordeste do país, outras cinco pessoas morreram, entre elas quatro integrantes dos serviços de emergência e um funcionário do governo municipal. Uma sexta vítima foi registrada em Kherson, no sul da Ucrânia.

Na Rússia, autoridades informaram que três pessoas morreram na cidade de Tula após um ataque ucraniano com drones.

Um dos alvos mais simbólicos da ofensiva foi o mosteiro Kyiv Pechersk Lavra, patrimônio mundial reconhecido pela Unesco e fundado em 1051. Segundo autoridades ucranianas, o complexo foi atingido diretamente, provocando incêndio e danos significativos à Catedral da Dormição. Mais de dez caminhões de bombeiros foram mobilizados para combater as chamas.

A Unesco condenou o ataque e informou que os danos afetaram tanto a parte externa quanto o interior da catedral e áreas adjacentes. A organização também colocou sua equipe à disposição para colaborar na avaliação dos prejuízos.

As versões sobre o ocorrido divergem. Autoridades ucranianas afirmam que o complexo religioso foi deliberadamente atacado por drones russos. Já o Ministério da Defesa da Rússia negou a acusação e declarou que o dano teria sido provocado por um míssil do sistema de defesa aérea Patriot utilizado pela Ucrânia. Moscou sustentou que seus ataques tiveram como alvo instalações de fabricação de drones.

Zelenski classificou a ofensiva contra o mosteiro como um dos mais graves ataques à cultura cristã desde o início da guerra e voltou a pedir aos países aliados o aumento da pressão sobre a Rússia e o reforço dos sistemas de defesa aérea ucranianos.

A reação internacional foi imediata. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou o ataque como injustificável e afirmou que continuará trabalhando por um cessar-fogo durante as discussões do G7. A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, e outras autoridades europeias também condenaram a ação.

Além dos danos ao patrimônio histórico, os bombardeios atingiram edifícios residenciais e linhas de energia. Segundo autoridades de Kiev, cerca de 140 mil moradores ficaram sem eletricidade. A maior parte do território ucraniano permaneceu sob alerta de ataque aéreo durante as primeiras horas do dia.

Enquanto os ataques prosseguem, a Ucrânia também intensificou operações contra alvos russos. Durante a madrugada, forças ucranianas atingiram duas pontes que conectam a Crimeia às áreas controladas pela Rússia, em uma tentativa de interromper rotas de abastecimento da península anexada por Moscou em 2014.

O novo episódio ocorre em meio aos esforços diplomáticos para alcançar um acordo de paz. Antes da conversa com Trump, Zelenski havia proposto negociações diretas com o presidente russo, Vladimir Putin, envolvendo a participação dos Estados Unidos e de países europeus. A proposta recebeu apoio de Reino Unido, Alemanha e França, mas foi rejeitada pelo governo russo.

Com o conflito sem avanços significativos rumo a uma solução, os novos ataques reforçam o cenário de escalada militar e aumentam a pressão internacional por medidas que possam levar a um cessar-fogo duradouro.

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Última atualização: 16/06/2026