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Ataque a oleoduto saudita ameaça oferta global de petróleo

Ataque a oleoduto saudita ameaça oferta global de petróleo

Ataque a oleoduto da Arábia Saudita e avanço dos houthis ameaçam 4% do petróleo global e elevam os riscos de crise energética.

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Luis Gomes
14 de setembro de 2026
4 min de leitura
Internacional

Um ataque ao principal oleoduto da Arábia Saudita e o avanço dos houthis na costa do Iêmen, no mar Vermelho, aumentaram os riscos para o abastecimento mundial de petróleo. A combinação dos dois fatores ameaça retirar até 4% do suprimento global da commodity e agrava a crise energética e inflacionária provocada pela guerra no Oriente Médio.

Na sexta-feira (10), drones atingiram o oleoduto que conecta campos petrolíferos sauditas, no oeste do país, ao porto de Yanbu, no mar Vermelho. A rota ganhou importância estratégica após a restrição do trânsito no estreito de Hormuz pelo Irã, em meio ao conflito com os Estados Unidos.

A Arábia Saudita, segundo maior produtor de petróleo do mundo, passou a direcionar até 70% de sua produção para exportação pelo mar Vermelho. De acordo com os sauditas, o ataque foi realizado a partir do Iraque por aliados do Irã e dos houthis. Até o momento, ninguém assumiu a autoria da ação.

A situação também gera incertezas sobre a capacidade de armazenamento de petróleo em Yanbu. Segundo agências de notícias, os estoques no porto seriam suficientes para, no máximo, mais uma semana. A previsão sobre a retomada das operações do oleoduto permanece incerta, já que a Aramco não informou a extensão dos danos. Imagens de satélite, entretanto, indicaram que os impactos aparentavam ser significativos.

Houthis ampliam controle no mar Vermelho

O cenário se tornou ainda mais delicado com a consolidação dos houthis na costa iemenita do mar Vermelho. O grupo rebelde, apoiado pelo Irã, já controla o acesso e as ilhas do estreito de Bab el-Mandeb, passagem que conecta a região ao oceano Índico.

Neste domingo (13), os houthis se preparavam para atacar a última cidade do norte da costa ainda controlada pelo governo do Iêmen reconhecido internacionalmente.

Os rebeldes afirmam que permitirão a passagem de navios que não tenham como origem ou destino portos sauditas. Com o avanço territorial, o grupo passou a ocupar uma posição mais favorável para controlar o tráfego marítimo na região.

O bloqueio anunciado pelos houthis em julho, porém, não teve a mesma efetividade da restrição imposta pelo Irã no estreito de Hormuz. Na passagem do Golfo Pérsico, o tráfego mercantil caiu para aproximadamente 10% do nível registrado antes da guerra.

Antes do ataque dos Estados Unidos ao Irã, em fevereiro, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito passava por Hormuz.

Os confrontos continuaram neste domingo. Segundo os houthis, uma base militar saudita foi atingida por mísseis lançados pelo grupo. Riad teria respondido com 123 ataques aéreos em um período de 24 horas. As autoridades sauditas não se pronunciaram sobre a situação militar.

Preço do petróleo sobe com escalada

A instabilidade no Oriente Médio já levou a Agência Internacional de Energia a projetar uma redução de 6% no fluxo global de petróleo neste ano. A possibilidade de uma nova escalada no mar Vermelho aumenta o risco de uma redução ainda maior.

O mercado também reagiu à nova rodada de ataques. O barril de petróleo Brent chegou a atingir US$ 107, antes de se estabilizar em aproximadamente US$ 105. Antes do início da guerra, a cotação estava em US$ 70 e chegou a US$ 114 em maio, durante o período de maior tensão.

Enquanto isso, no estreito de Hormuz, uma explosão atingiu um petroleiro próximo à ilha de Qeshm. O governo do Irã atribuiu o episódio aos Estados Unidos, que também promovem um bloqueio aos portos iranianos. Os americanos, contudo, ainda não haviam se pronunciado sobre o caso.

Irã busca acomodação com países do Golfo

Em meio ao agravamento do conflito, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que a crise com os Emirados Árabes Unidos “ficou para trás”. A declaração ocorreu após encontro com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed.

Os dois participaram da cúpula do Brics, encerrada neste domingo na Índia. Irã e Emirados Árabes Unidos foram incorporados ao grupo em 2023, por iniciativa da China, que buscava ampliar o peso político da organização.

A guerra, porém, dificultou a aproximação entre os países. Os Emirados foram alvo de quase 3 mil ataques retaliatórios do Irã durante o conflito, número superior ao registrado em qualquer outro país do Golfo Pérsico aliado dos Estados Unidos.

O príncipe herdeiro não se manifestou sobre a situação.

No comunicado oficial divulgado ao final da cúpula, o Brics defendeu uma solução negociada para a crise no Oriente Médio. O grupo, contudo, utilizou termos genéricos e evitou adotar uma posição que pudesse gerar um confronto direto com Washington, como pretendia o Irã.

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Última atualização: 14/09/2026