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A Odisseia de Nolan e a saudade dos velhos épicos

A Odisseia de Nolan e a saudade dos velhos épicos

Silvio Osias revisita clássicos como Ben-Hur e Lawrence da Arábia ao analisar A Odisseia, de Christopher Nolan.

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Ana Vívian
19 de agosto de 2026
6 min de leitura
Entreterimento

Depois de assistir a A Odisseia, de Christopher Nolan, o jornalista Silvio Osias revisitou os grandes épicos que marcaram sua formação cinematográfica. Entre eles estão Os Dez Mandamentos, Ben-Hur, Spartacus, El Cid e Lawrence da Arábia, filmes que ele viu ainda na infância e reviu algumas vezes já adulto.

A experiência com o novo filme também levou Osias de volta às primeiras lembranças relacionadas à Guerra de Troia, à mitologia greco-romana e à própria obra de Homero, em uma reflexão marcada por memória, cinema e comparação entre diferentes gerações de filmes épicos.

Os cinco épicos preferidos

A lista de Osias começa com Os Dez Mandamentos, de 1956, dirigido por Cecil B. DeMille e estrelado por Charlton Heston no papel de Moisés. O filme tem três horas e cinquenta minutos de duração.

Em seguida aparece Ben-Hur, de 1959, dirigido por William Wyler. Heston interpreta o príncipe judeu Judah Ben-Hur. A produção tem três horas e quarenta minutos.

O terceiro filme é Spartacus, de 1960, dirigido por Stanley Kubrick. Kirk Douglas interpreta Espártaco e também atua como produtor. O longa tem três horas e vinte minutos.

Charlton Heston aparece em três dos cinco

A lista prossegue com El Cid, de 1961, dirigido por Anthony Mann. Charlton Heston interpreta Rodrigo Diaz de Vivaz, descrito no texto como guerreiro e herói espanhol. A duração é de três horas.

O quinto título é Lawrence da Arábia, de 1962, dirigido por David Lean. Peter O'Toole interpreta o militar britânico T.E. Lawrence. O filme tem três horas e cinquenta minutos.

Osias afirma ter assistido aos cinco ainda na infância e revisto as produções algumas vezes na vida adulta. É a partir dessa relação afetiva com os antigos épicos que ele estabelece sua comparação com A Odisseia.

A primeira lembrança da Guerra de Troia

A relação do jornalista com a Guerra de Troia remonta a 1967, quando ele tinha oito anos. Naquele período, um dos episódios da série televisiva O Túnel do Tempo apresentou uma história ambientada em Troia.

No episódio, os dois cientistas perdidos no tempo chegavam à cidade, encontravam o cavalo de Troia, eram confundidos com deuses e ajudavam Ulisses, ou Odisseu.

Na versão exibida pela televisão brasileira, o episódio recebeu o título Presente de Grego. No original em inglês, era chamado Revenge of the Gods.

O Túnel do Tempo despertou o interesse pela mitologia

Segundo Osias, aquele episódio despertou seu interesse pela mitologia greco-romana. A partir daí, seu pai o apresentou a esse universo.

A palavra “odisseia”, porém, entrou definitivamente em sua vida por outro caminho. Em 1969, aos dez anos, ele assistiu a 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.

Anos depois, já na juventude, leu A Odisseia, de Homero. Ele não se recorda de qual tradução utilizou e afirma que a leitura lhe pareceu árida, embora reconheça que talvez lhe faltasse maturidade naquele momento.

Homero foi revisitado ao longo da vida

A história contada por Homero em versos também apareceu diversas vezes para Osias em adaptações para a prosa, por meio de livros sobre mitologia.

Foram diferentes versões da mesma história ao longo dos anos, algumas consideradas boas e outras ruins pelo próprio jornalista.

Foi nesse contexto de uma relação antiga com a mitologia, com Homero e com o cinema épico que ele decidiu assistir a A Odisseia, de Christopher Nolan.

A motivação, segundo relata, não foi exatamente uma grande expectativa pelo filme, mas também o fato de assinar uma coluna de perfil cultural.

A visão de Christopher Nolan

Osias reconhece a importância de Christopher Nolan, que descreve como um dos grandes nomes do cinema no primeiro quarto do século XXI. Ao mesmo tempo, afirma que os filmes do diretor não costumam arrebatá-lo.

Entre as obras de Nolan, destaca Oppenheimer e Dunkirk.

Também menciona Interstellar, que considera um belo filme de ficção científica, mas que, em sua avaliação, não chega perto de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick, que classifica como uma obra-prima absoluta do gênero.

Batman e a comparação com Tim Burton

A avaliação de Nolan também passa por Batman: O Cavaleiro das Trevas. Para Osias, o filme é superestimado, apesar do trabalho de Heath Ledger como Coringa.

O jornalista afirma preferir a versão do personagem dirigida por Tim Burton nos anos 1980 e 1990.

É a partir dessas referências que ele chega a A Odisseia, enxergando no novo filme a marca característica de Nolan e do modo contemporâneo de produzir grandes espetáculos cinematográficos.

Um épico feito para grandes plateias

Para Osias, A Odisseia reúne um orçamento gigantesco, um elenco de grandes nomes e uma fotografia que considera belíssima.

O resultado, em sua avaliação, é um espetáculo pensado para levar multidões aos cinemas.

Ele considera que o filme carrega não apenas a assinatura de seu diretor, mas também as características do modo atual de produzir grandes filmes para grandes plateias.

Essa leitura é central para a comparação estabelecida pelo jornalista entre a nova produção e os épicos que marcaram sua infância.

O cavalo de Troia e a lembrança de O Planeta dos Macacos

Uma imagem específica chamou a atenção de Osias: o cavalo à beira-mar. Ele descreve a cena como “estranhamente bela” e afirma que ela lhe trouxe à memória a Estátua da Liberdade de O Planeta dos Macacos, filme de 1968.

A comparação é apresentada como uma possibilidade de inspiração. Para o jornalista, se o desfecho de O Planeta dos Macacos serviu de referência, isso seria um ponto positivo para A Odisseia.

Ao mesmo tempo, ele observa que nunca havia visto um cavalo de Troia como aquele apresentado por Nolan.

Matt Damon é comparado aos protagonistas dos clássicos

O Odisseu interpretado por Matt Damon recebe uma avaliação positiva de Osias, mas o jornalista considera que o personagem empalidece quando comparado aos protagonistas dos antigos épicos de sua lista.

Ele cita novamente Charlton Heston nos filmes dirigidos por DeMille, Wyler e Mann, Kirk Douglas sob a direção de Kubrick e Peter O'Toole sob David Lean.

A comparação não é apenas entre atores. Ela também revela a relação afetiva do jornalista com um modelo de cinema épico que marcou sua infância e permaneceu como referência ao longo da vida.

Gostou, mas não se empolgou

Depois de assistir a A Odisseia, Osias afirma ter sentido saudades dos antigos épicos que apresentou no início da coluna.

Ele reconhece que pode haver uma questão geracional nessa reação.

A conclusão é direta: gostou de A Odisseia, mas não se empolgou.

A experiência, no entanto, serviu para revisitar uma trajetória pessoal que começa com O Túnel do Tempo, passa pela mitologia greco-romana e por 2001: Uma Odisseia no Espaço, chega à leitura de Homero e desemboca agora na versão cinematográfica de Christopher Nolan.

Fonte: Jornal da Paraiba

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Última atualização: 19/08/2026